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Acontece no mercado imobiliário

Klabin troca Faria Lima nobre por área mais barata

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

16 de abril de 2026

tempo de leitura:

12 min

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A Klabin decidiu deixar o trecho mais caro da Faria Lima, perto do cruzamento com a JK, e migrou para uma região mais acessível da mesma avenida, na altura do Largo da Batata. A mudança marca mais um capítulo do movimento de empresas não financeiras que vêm repensando sua presença na Faria Lima diante da forte alta dos aluguéis no pós-pandemia. No novo endereço, a companhia ocupa um edifício mais recente, maior e com custo menor por metro quadrado, equilibrando eficiência financeira e qualidade do espaço corporativo.
 
O caso ajuda a entender como a dinâmica imobiliária da avenida mudou, como os valores subiram e por que outras empresas estão buscando alternativas em vias vizinhas, como a Rebouças. Neste artigo, você vai ver os motivos da troca, o impacto para o mercado de escritórios e o que essa mudança revela sobre a nova geografia corporativa de São Paulo:

Por que a Klabin saiu da área nobre

A decisão da Klabin de trocar um endereço cobiçado na Faria Lima por outro mais barato na mesma avenida é um retrato muito claro de como o mercado corporativo de São Paulo mudou depois da pandemia. A empresa devolveu seu antigo escritório no trecho mais valorizado da via, próximo ao encontro com a JK, e passou a ocupar um prédio novo na região do Largo da Batata, onde o custo por metro quadrado é bem menor.
 
Na prática, a companhia fez uma escolha que combina racionalidade financeira com ganho operacional: reduziu a despesa de ocupação e ainda aumentou a área disponível para sua operação. Esse tipo de movimento ganhou força porque, para muitos negócios fora do setor financeiro, a necessidade de estar no coração da Faria Lima deixou de compensar o peso do aluguel. O que antes era símbolo de prestígio hoje, em muitos casos, virou um custo difícil de defender. É exatamente nesse ponto que a Klabin troca Faria Lima de forma emblemática: menos status, mais eficiência, sem abrir mão de uma localização estratégica.
 
O escritório anterior ficava em um prédio triple A de 2006, enquanto o novo endereço está em um empreendimento entregue em 2021, com padrão mais moderno e infraestrutura mais atual. Para empresas com foco em produtividade, experiência do colaborador e disciplina de custos, essa equação faz cada vez mais sentido. E o movimento não é isolado, porque outras companhias já perceberam que a avenida continua relevante, mas nem todo trecho entrega o mesmo retorno para o negócio.
 

O que muda no novo endereço

No novo espaço, a Klabin passou a ocupar cerca de 7,4 mil metros quadrados no Faria Lima Plaza, ante os 5,4 mil metros quadrados do antigo Faria Lima Square. A diferença é importante porque mostra que a mudança não foi apenas para cortar custos, mas também para ganhar fôlego físico para a operação. O novo prédio, classificado como triple A, é mais recente, foi entregue em 2021 e aparece com preço pedido de R$ 240 por metro quadrado ao mês, segundo consultorias do setor. Já o imóvel anterior, também de padrão elevado, chegava a algo em torno de R$ 340 por metro quadrado.
 
Em termos de caixa, a economia é relevante; em termos de imagem, a companhia segue em uma região corporativa de peso. Esse equilíbrio costuma ser decisivo para empresas que querem manter presença em São Paulo sem assumir o custo premium do trecho mais disputado. A proximidade com o Largo da Batata também traz vantagens urbanas e logísticas, já que o eixo segue conectado a outros pontos estratégicos da cidade.
 
Para quem acompanha o mercado, a mensagem é simples: a Faria Lima continua forte, mas o valor de cada quarteirão passou a contar muito mais na hora de fechar um contrato. O resultado é uma ocupação mais seletiva, em que empresas com menor dependência de networking financeiro podem negociar melhor e encontrar ativos mais adequados ao seu momento.
 

O efeito Faria Lima no mercado corporativo

Os preços de locação no trecho mais nobre da Faria Lima dispararam no pós-pandemia por uma combinação de fatores que se reforçaram mutuamente. De um lado, houve escassez de novos projetos corporativos na região; de outro, as instituições financeiras lideraram o retorno ao presencial e criaram uma pressão adicional por espaços bem localizados. O efeito foi um descolamento relevante em relação à média de outras áreas da cidade. Quando isso acontece, a conta deixa de fechar para muitas empresas que não dependem tanto da convivência com bancos, gestoras e fintechs.
 
Em vez de pagar caro apenas pela vitrine, essas companhias começam a olhar para endereços próximos, porém menos inflacionados. É nesse contexto que a Klabin troca Faria Lima e se afasta de vizinhos como Google e BTG para se aproximar da Avenida Rebouças, outro corredor que vem absorvendo parte da demanda represada. Na Rebouças, com vacância praticamente zerada, os aluguéis giram em torno de R$ 165 por metro quadrado, reforçando a leitura de que a cidade está vivendo uma redistribuição do apetite corporativo.
 
Para o mercado imobiliário, isso significa uma nova lógica de precificação: não basta estar perto do centro de decisão, é preciso justificar economicamente cada metro quadrado ocupado. E esse raciocínio tende a ficar ainda mais forte em um cenário em que empresas buscam estruturas modernas, mas com disciplina financeira. Em outras palavras, o endereço segue sendo um ativo estratégico, só que agora precisa entregar valor real, não apenas prestígio.
 

O que essa mudança sinaliza para o imobiliário

Do ponto de vista imobiliário, a migração da Klabin ajuda a desenhar um mapa bem mais nítido do que está acontecendo em São Paulo. A avenida mais famosa do mercado corporativo continua sendo uma referência absoluta, mas seu trecho mais caro vem se tornando um território cada vez mais restrito. Isso cria espaço para regiões adjacentes, que passam a oferecer uma combinação mais atraente de preço, qualidade e disponibilidade.
 
Para incorporadoras, investidores e fundos, o recado é valioso: a demanda corporativa não desapareceu, apenas ficou mais seletiva e sensível à relação entre custo e benefício. Um prédio novo, com padrão elevado e preço abaixo do topo da avenida, pode ser mais competitivo do que um ícone antigo, mesmo que esteja em localização menos badalada. Esse é um ponto crucial para quem analisa oportunidades em escritórios. Em mercados maduros, a preferência por eficiência tende a prevalecer quando o ciclo de alta dos aluguéis aperta demais.
 
E, nesse cenário, a busca por ativos com boa governança, serviços e mobilidade ganha importância. Para o mercado imobiliário comercial, isso também reforça a necessidade de leitura fina de microlocalização, porque um mesmo eixo pode ter realidades completamente distintas em poucos quarteirões. É uma lição importante para quem trabalha com estratégia, valuation e ocupação: o endereço certo não é necessariamente o mais caro, e sim o que resolve melhor a equação do negócio.
 

Na prática, o mercado já virou a chave

O caso da Klabin mostra que o mercado corporativo entrou em uma fase de maior pragmatismo. A empresa não abandonou a Faria Lima, mas reposicionou sua presença dentro dela para capturar eficiência sem perder relevância. Isso é muito diferente de uma simples redução de custos; trata-se de uma decisão estratégica, pensada para preservar competitividade em um ambiente em que cada despesa precisa ser justificada.
 
Para outras companhias, o movimento serve como referência: manter-se perto dos principais polos de negócios continua importante, mas não a qualquer preço. Localização ainda importa muito, só que agora ela precisa trabalhar em favor da operação, e não contra ela. Nesse sentido, a Faria Lima deixa de ser um endereço único e passa a ser uma faixa de opções, cada uma com sua lógica econômica.
 
A tendência é que mais empresas façam movimentos parecidos, especialmente aquelas que não precisam estar no núcleo financeiro da cidade para manter relacionamento com clientes, parceiros e talentos. Se a vitrine ficou cara demais, o mercado responde com alternativas logo ao lado. E é justamente aí que surgem novas oportunidades para proprietários, gestores e investidores atentos à transformação do eixo corporativo paulistano. Quem entende essa virada consegue enxergar antes onde está a próxima onda de demanda — e, no imobiliário, sair na frente costuma fazer toda a diferença.
 

O jogo da localização continua em andamento

No fim das contas, a mudança da Klabin reforça uma verdade que o mercado imobiliário conhece bem: localização é valor, mas valor também depende do contexto. Quando o custo sobe rápido demais, até os endereços mais desejados precisam se adaptar ao comportamento da demanda. A avenida segue poderosa, mas os ocupantes estão escolhendo com mais critério onde vale a pena estar, quanto pagar e qual imagem querem projetar.
 
Para quem observa o mercado com visão de longo prazo, esse tipo de migração é quase um mapa do futuro. Ele mostra onde a pressão está maior, onde a absorção continua forte e quais regiões podem ganhar protagonismo nos próximos ciclos. Em São Paulo, a disputa por escritórios de qualidade está longe de terminar — ela apenas ficou mais inteligente, mais segmentada e mais estratégica. E quem souber ler essa transformação vai encontrar oportunidades onde muita gente ainda vê apenas uma simples troca de endereço.