O mercado imobiliário brasileiro, especialmente o setor de escritórios, está passando por um Renascimento. A CEO da Newmark no Brasil, Marina Cury, afirmou que os incorporadores estão percebendo a urgência de desenvolver novos espaços, após um período de incerteza e hesitação. Com a recuperação das atividades presenciais, especialmente em São Paulo, houve um aumento significativo na demanda por escritórios, enquanto a oferta permanece limitada.
Dados indicam que a entrega de novos imóveis até 2025 será consideravelmente abaixo das médias históricas, refletindo um paradoxo entre a crescente busca por espaços amplos e a escassez de opções disponíveis. As empresas, agora apostando em modelos híbridos de trabalho, enfrentam o desafio de encontrar locais adequados que promovam a colaboração e a produtividade. Este cenário cria uma oportunidade sem precedentes para os incorporadores, que devem se adaptar e inovar para atender às novas exigências do mercado. Prepare-se para explorar a nova dinâmica dos escritórios em São Paulo e o que o futuro pode reservar:
‘Incorporador está vendo que é hora de fazer escritório,’ diz a CEO da Newmark
O mercado imobiliário está atravessando um momento de transformação, especialmente quando se trata do setor de escritórios. Recentemente, Marina Cury, a CEO da Newmark no Brasil, destacou em uma entrevista que os incorporadores estão começando a perceber que é hora de fazer escritório, após anos de hesitação. A retomada gradual das atividades presenciais nas empresas sinaliza um retorno significativo ao ambiente corporativo, especialmente na cidade de São Paulo, que tem sido o epicentro dessa mudança.
A pandemia trouxe à tona diversas reflexões sobre o ambiente de trabalho e a relação entre produtividade e home office. Enquanto muitos acreditavam que as práticas de trabalho remoto seriam permanentes, agora estamos começando a observar uma nova tendência: o retorno aos escritórios. As empresas estão revendo suas políticas e, como resultado, a demanda por espaço de escritório aumentou de forma surpreendente.
A Nova Realidade dos Escritórios em São Paulo
A cidade de São Paulo enfrenta um paradoxo. Por um lado, a oferta de novos espaços comerciais está aquém das médias históricas. Segundo dados recentes da Newmark, a previsão para entrega de novos imóveis até o final de 2025 é de apenas 154 mil metros quadrados, um número 37% inferior à média histórica de 242 mil m² por ano. Por outro lado, a demanda por escritórios subiu consideravelmente, com uma absorção líquida de 261 mil m² até o terceiro trimestre de 2025, o que representa o dobro da média histórica de anos inteiros, que é de 128 mil m².
Esse cenário evidencia que, enquanto a construção de novos espaços empresariais permanece estagnada, as empresas estão buscando cada vez mais áreas grandes para acomodar suas equipes. Muitas delas que haviam devolvido espaços devido à flexibilização do trabalho, agora enfrentam dificuldades em encontrar escritórios adequados – um desafio crescente em um mercado que começa a se reaquecer.
O Retorno ao Escritório: Mudanças de Comportamento
Com a volta ao trabalho presencial, muitas empresas têm adotado modelos híbridos de atuação, onde os funcionários trabalham alguns dias em casa e outros dias no escritório. Essa estratégia não só ajuda na logística das empresas, mas também oferece um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal. Marina Cury ressaltou que essa nova abordagem permitiu que, mesmo com a limitação de espaço, houvesse um aumento na sensação de pertencimento entre os colaboradores que voltam a ter mesas fixas.
Esses novos arranjos demonstram que as ideias que antes eram impensáveis, como o retorno ao uso de mesas próprias em vez de sistemas de hot-desking, estão voltando à tona. Esse fenômeno não só se reflete na disposição física dos ambientes, mas também na mentalidade coletiva das empresas, que buscam reconstruir a cultura organizacional perdida durante o período de isolamento social.
Impacto nas Decisões dos Incorporadores
A visão de Marina Cury é clara: “Está acendendo uma luz para eles de que é hora de fazer escritório”. Para os incorporadores, isso significa que o tempo de hesitação já passou. A pressão para novos projetos está aumentando, especialmente nas áreas nobres de São Paulo, como Faria Lima, JK e Paulista, onde a oferta é cada vez mais escassa. Essa dinâmica coloca os desenvolvedores em uma posição interessante, onde a criação de novos espaços se torna não apenas uma possibilidade, mas uma necessidade premente.
Um dos principais fatores que impulsiona essa demanda é a pressão competitiva no mercado. Os inquilinos que não agem rapidamente em negociações podem perder oportunidades, pois já existem filas de espera para fechar contratos em regiões estratégicas. O contexto atual exige que os incorporadores se adaptem e enxerguem o potencial do mercado de escritórios como uma oportunidade real de investimento.
Novo Estoque e Projeções Futuras
As projeções para o mercado de escritórios em 2026 indicam que aproximadamente 240 mil m² devem ser entregues, alinhando-se novamente às médias históricas. No entanto, a maioria desses projetos são antigos, represados devido à pandemia, e os novos empreendimentos ainda não foram iniciados na mesma velocidade que a demanda exige.
Mariana Hanania, da Newmark, destaca que a pressão por novos espaços se concentrará nas áreas onde a oferta é restrita. Com a dificuldade em encontrar prédios com uma metragem maior para atender a demanda crescente, os incorporadores têm uma oportunidade única para se posicionar nesse cenário. Regiões como a Chucri Zaidan ainda têm prédios recém-entregues para serem ocupados, mas nas áreas mais desejadas, o espaço se esgota rapidamente.
As empresas que optarem por retornar ao trabalho presencial terão que navegar por esse mercado competitivo e dinâmico, onde a capacidade de resposta e a agilidade nas decisões se tornam cruciais para garantir um espaço que atenda suas necessidades.
Uma Oportunidade para a Inovação no Setor Imobiliário
O retorno ao escritório não é apenas uma tendência passageira; é uma oportunidade para que as incorporadoras inovem e se adaptem. As empresas estão cada vez mais focadas em ambientes que promovam a colaboração, criatividade e bem-estar. Portanto, a peça-chave nessa transição é a criação de escritórios funcionais e agradáveis, que incentivem a interação entre as equipes.
Com a expectativa de crescimento na demanda por novos espaços, os incorporadores devem ser proativos em suas abordagens. Adotar estratégias que considerem não apenas a estrutura física, mas também o impacto que esses ambientes podem ter na cultura das empresas é fundamental.
Desvendando o Futuro dos Escritórios
À medida que o cenário de trabalho se remodela, fica claro que o momento é oportuno para os incorporadores se lançarem na construção de novos espaços de escritório. O desejo de voltar ao ambiente corporativo está mais vivo do que nunca, e as empresas estão dispostas a investir em espaços que promovam a produtividade e a inovação.
Agora, com a demanda crescendo e a oferta restrita, os desenvolvedores têm um papel crucial em moldar o futuro do ambiente de trabalho. Eles não apenas precisam responder a essa demanda, mas também devem abraçar a oportunidade de criar ambientes que inspirem as pessoas a trabalhar e colaborar. O jogo mudou, e aqueles que perceberem isso estarão na vanguarda do setor imobiliário.