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Acontece no mercado imobiliário

Falta de engenheiro afeta obras no mercado imobiliário

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

11 de novembro de 2025

tempo de leitura:

9 min

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A construção civil brasileira enfrenta um grave desafio: a escassez de engenheiros civis qualificados. Apesar do crescimento robusto do mercado imobiliário, a oferta de profissionais não consegue atender a essa demanda crescente, resultando em atrasos e cancelamentos de projetos essenciais para o desenvolvimento urbano e econômico do Brasil. Com uma queda significativa no interesse dos jovens em seguir a carreira de engenharia civil, impulsionada pela atração do setor financeiro, a situação se torna ainda mais preocupante.
 
Dados indicam que apenas 17% dos engenheiros civis registrados em 2025 emitiram a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), evidenciando uma redução na participação ativa desses profissionais nas obras, o que pode comprometer a qualidade e a segurança dos projetos. Para reverter esse quadro, é crucial promover a valorização da engenharia e engajar as novas gerações na profissão. Neste artigo, vamos explorar as causas e consequências dessa crise, além de discutir possíveis soluções para fortalecer a engenharia civil no Brasil:

O papel da engenharia nas obras e a escassez de profissionais

Nas obras, também está faltando engenheiro. A construção civil brasileira enfrenta um desafio crítico com a escassez de mão de obra qualificada, e a ausência de engenheiros civis é um reflexo dessa realidade. O cenário atual revela que, enquanto o mercado imobiliário experimenta um crescimento robusto, a oferta de engenheiros não acompanha essa demanda crescente. Vamos explorar mais a fundo essa questão complexa e suas implicações para o setor.
 

A escassez de engenheiros civis: um panorama preocupante

Com o aumento do número de lançamentos imobiliários, as incorporadoras e construtoras estão sentindo a pressão de uma demanda que não pode ser atendida adequadamente pela atual força de trabalho. Segundo Yorki Estefan, presidente do Sinduscon-SP, “A velocidade com que o mercado está crescendo é maior do que a disponibilidade de profissionais.” Esse descompasso resulta em atrasos e possíveis cancelamentos de projetos que são vitais para o desenvolvimento urbano e econômico do Brasil.
 
A situação é ainda mais complicada quando observamos a queda de interesse dos jovens em seguir a carreira de engenharia civil. Dados do Inep mostram que, embora entre 2010 e 2019 a engenharia civil tenha sido um dos cursos mais procurados, desde 2020 essa tendência se reverteu. Nas universidades, como a PUC-SP, o número de ingressantes despencou de 83 em 2014 para apenas 11 em 2024. Essa realidade reflete uma crise de perspectiva para os estudantes que não enxergam o futuro da profissão como atraente.
 

Um mercado financeiro sedutor e sua influência na engenharia

Outro fator que tem contribuído para a falta de engenheiros nas obras é a atração do setor financeiro. Vagas com remuneração inicial mais alta e trajetórias profissionais promissoras têm levado muitos formandos a optar por carreiras em bancos e corretoras. Histórias como a de Henrique Meirelles, que é engenheiro civil e virou uma figura proeminente no setor financeiro, ilustram essa tendência. A transformação do mercado financeiro brasileiro também ampliou as oportunidades para novos profissionais, muitos dos quais vieram da construção civil, criando uma verdadeira “fuga de cérebros”.
 
Vinicius Marchese, presidente do Confea, alerta sobre as consequências dessa migração. Ele enfatiza que a escassez de engenheiros não é apenas um problema que afeta o setor da construção civil, mas sim um desafio estratégico para o País. Se essa tendência continuar, podemos enfrentar um travamento em obras de infraestrutura essenciais, saneamento e energia, prejudicando o desenvolvimento socioeconômico.
 

Impactos diretos nas obras e na economia

A falta de engenheiros qualificados pode impactar diretamente o andamento das obras. Adiar projetos de grande escala, como o Minha Casa Minha Vida, pode resultar na perda de recursos e oportunidades para milhares de brasileiros que dependem de habitação acessível. Além disso, sem a supervisão adequada, obras podem sofrer desvios, aumentar em custos e perder qualidade, o que compromete não apenas a segurança, mas também a sustentabilidade dos projetos.
 
Os dados do CREA-SP revelam que apenas 17% dos engenheiros civis registrados emitiram a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) em 2025. Isso indica não só uma redução na participação ativa dos engenheiros em obras, mas também um enfraquecimento do controle de qualidade e da responsabilidade técnica dentro do setor. Esse quadro, se não for revertido, pode comprometer a confiança do consumidor e dos investidores na construção civil brasileira.
 

O futuro da engenharia civil no Brasil

Para enfrentar essa crise, diversas ações devem ser consideradas. Instituições acadêmicas e empresas do setor precisam se unir para promover a valorização da engenharia civil. Programas de incentivo à formação, além de parcerias com o setor privado, podem ajudar a ressuscitar o interesse pela profissão. É fundamental que as universidades adaptem seus currículos para incluir novas tecnologias e práticas que tornem a engenharia civil mais atrativa.
 
Além disso, campanhas de conscientização sobre a importância do papel do engenheiro nas obras são essenciais. Mostrar aos jovens estudantes as possibilidades de carreira, inovações e o impacto positivo que podem ter na sociedade pode ser um passo importante para reverter a situação atual.
 

Desafios e oportunidades para a próxima geração

É inegável que a construção civil enfrenta um momento de desafio, mas também de oportunidade. A nova era de construção sustentável requer engenheiros criativos e inovadores que possam transformar desafios em soluções. Com o avanço das tecnologias, como a construção modular e o uso de inteligência artificial, os engenheiros têm a chance de reinventar suas funções e se destacar em um mercado competitivo.
 
O engajamento das gerações atuais e futuras será crucial para revitalizar o setor e conectar os jovens com suas raízes na engenharia civil. Isso poderá gerar um ciclo virtuoso, onde a profissão não só se fortalece, mas também contribui significativamente para a sustentabilidade e o crescimento da economia.
 

Encarando juntos o futuro

No mundo em constante transformação da construção civil, a falta de engenheiros é um problema que clama por atenção. No entanto, com esforços conjuntos entre instituições educacionais, empresas e profissionais, há uma clara trajetória de potencial para revitalizar o setor. A engenharia civil será, sem dúvida, uma profissão crucial para o futuro do Brasil, desde que as oportunidades sejam apresentadas e as razões para se envolver na área sejam evidentes e inspiradoras.
 
Se há algo que podemos aprender com a situação atual, é que os desafios podem servir como um catalisador para a mudança. Rumo a um futuro mais promissor, vamos celebrar cada passo dado em direção à valorização da engenharia e ao fortalecimento desse setor vital. A estrada será longa, mas juntos podemos pavimentá-la!