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Acontece no mercado imobiliário

Presencial no mercado imobiliário: desafios e perspectivas

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

14 de agosto de 2025

tempo de leitura:

9 min

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Nos últimos anos, o mercado de trabalho enfrentou transformações profundas, impulsionadas pela pandemia e por novas expectativas dos colaboradores. O retorno ao trabalho presencial não é mais uma simples decisão; trata-se de uma jornada complexa que envolve repensar a cultura organizacional e as estratégias de emprego.

Enquanto grandes cidades, como São Paulo, mostram uma recuperação na ocupação de escritórios, a adaptação das empresas a essa nova realidade é desigual. Muitas enfrentam resistência de funcionários que priorizam a flexibilidade e qualidade de vida, revelando uma necessidade crescente de ouvir as vozes internas.

Além disso, práticas como o “flight to quality” estão redefinindo os ambientes de trabalho, onde espaços modernos e funcionais se tornam essenciais para atrair e reter talentos. As abordagens híbridas, como o modelo hub and spoke, também ganham destaque, oferecendo flexibilidade sem perder a presença estratégica. Quer saber como as empresas podem navegar nesse cenário desafiador? Confira as insights e perspectivas sobre o futuro do trabalho:

Um novo cenário para o trabalho presencial

Nos últimos anos, a dinâmica do mercado de trabalho passou por uma transformação significativa, influenciada em grande parte pela pandemia. A relação entre empresas e seus colaboradores evoluiu, e o retorno ao presencial se mostra cada vez mais complexo. O que antes era considerado uma solução temporária, agora se revela um desafio contínuo. As empresas estão diante de uma encruzilhada, onde a escolha entre manter práticas de trabalho remoto ou retomar o modelo presencial é carregada de incertezas.

O cenário atual é de recuperação, especialmente em grandes centros urbanos como São Paulo, onde regiões como Rebouças e Chucri Zaidan testemunham um aumento na ocupação dos escritórios. Entretanto, essa recuperação não é homogênea; algumas empresas já anunciaram o retorno integral, enquanto outras lutam com a resistência de seus colaboradores e a adaptação às novas realidades de trabalho. Portanto, é crucial entender que o retorno ao presencial não é uma linha reta, mas uma jornada cheia de nuances.

A complexidade do retorno ao modelo presencial

O retorno ao trabalho presencial se tornou uma questão estratégica e multifacetada que exige uma análise cuidadosa. A decisão não diz respeito somente ao espaço físico, mas também envolve cultura organizacional, estratégia e propósito. Muitas empresas estão repensando seu espaço de trabalho, considerando fatores como o custo de capital, que ainda se apresenta elevado, e a necessidade de otimizar cada metro quadrado ocupado.

Além disso, a nova geração de talentos traz consigo expectativas diferentes. Profissionais jovens estão mais dispostos a considerar alternativas de trabalho que respeitem seu tempo e qualidade de vida. A resistência ao retorno ao presencial, portanto, não se limita apenas à vontade dos colaboradores; trata-se de entender seu valor e seu papel nas organizações. Há uma crescente “fuga silenciosa” de talentos que buscam empresas que ofereçam propostas claras de valor para justificar a exigência de presença total.

O impacto do “flight to quality”

Uma tendência que vem ganhando força é o chamado “flight to quality”, onde empresas migram de escritórios antigos para lajes modernas, sustentáveis e bem localizadas, que oferecem melhor mobilidade e segurança. Essa mudança não é apenas estética; ela reflete um entendimento mais profundo sobre as necessidades dos colaboradores e como um ambiente de trabalho de qualidade pode influenciar diretamente a produtividade.

Os espaços de trabalho agora são vistos como extensões da cultura empresarial. Escritórios que proporcionam um ambiente agradável, com serviços e infraestrutura de qualidade, tendem a atrair e reter talentos com mais eficácia. Assim, as empresas estão investindo em ambientes que não só acomodem pessoas, mas que também promovam a colaboração e a inovação.

Modelos híbridos e novas abordagens para o trabalho

Outro modelo que tem atraído a atenção das empresas, especialmente nos setores de tecnologia e financeiro, é o modelo hub and spoke. Nesse formato, a sede da empresa permanece em uma localização premium, enquanto escritórios descentralizados são criados em áreas mais acessíveis para colaboradores e clientes. Essa abordagem oferece flexibilidade e, ao mesmo tempo, mantém a presença corporativa em lugares estratégicos.

As empresas que adotam esse tipo de estratégia são aquelas que tomam decisões fundamentadas em dados concretos e no feedback ativo de seus colaboradores. Compreender o papel do escritório nas operações é fundamental para fazer escolhas informadas que se alinhem aos objetivos gerais do negócio. Portanto, a pergunta que ressoa atualmente não é mais “voltar ou não voltar?”, mas sim “qual é a estratégia por trás da presença?”.

A importância da escuta ativa

As organizações que se destacam no contexto do retorno ao presencial são aquelas que têm coragem de ouvir seus colaboradores. Isso envolve uma comunicação clara e aberta sobre as expectativas e os desafios associados ao trabalho presencial. Em um mundo em que o trabalho remoto já se estabeleceu como uma opção viável para muitos, a necessidade de ter um propósito claro ao exigir a presença física torna-se ainda mais crítica.

Não se trata apenas de decidir quantos dias na semana os colaboradores devem estar no escritório, mas de criar um ambiente que respeite suas necessidades e valores. As decisões precisam ser tomadas com empatia e alinhamento com a realidade do mercado atual.

Perspectivas futuras para o mercado de trabalho

À medida que navegamos por esses tempos incertos, é essencial que as empresas permaneçam ágeis e abertas a evoluções. O retorno ao presencial pode ser repleto de desafios, mas também apresenta uma oportunidade única de reinventar a cultura organizacional. A verdadeira transformação ocorrerá quando as empresas começarem a ver seus escritórios não apenas como espaços físicos, mas como pilares essenciais para a construção de equipes coesas e produtivas.

A combinação de estratégias que incluem práticas de trabalho híbrido e foco em ambientes de qualidade poderá definir o futuro do trabalho. Ao priorizá-las, as empresas não apenas atenderão às expectativas de seus colaboradores, mas também estarão preparadas para uma nova era de trabalho.

Um novo paradigma no trabalho

Portanto, o que podemos concluir sobre o retorno ao presencial? Ele requer mais do que uma simples decisão; é uma convocação para que as empresas adotem uma perspectiva mais ampla e dinâmica sobre como e onde queremos trabalhar. Um caminho não é necessariamente o melhor; o que realmente importa é como cada organização decide trilhar seu próprio caminho.

Voltando ao cerne da discussão, o essencial é que as decisões sobre o espaço físico sejam baseadas em análises profundas, alinhadas com os objetivos do negócio e que considerem a experiência do colaborador. Com isso, o futuro do trabalho pode ser moldado de maneira a refletir um verdadeiro equilíbrio entre as demandas empresariais e as expectativas dos talentos contemporâneos.