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Acontece no mercado imobiliário

Clube Marapendi: quem quer comprar e por que trava

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

22 de junho de 2026

tempo de leitura:

15 min

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O Clube Marapendi, um dos endereços mais emblemáticos e antigos da Barra da Tijuca, entrou de vez no radar das incorporadoras. Pelo menos cinco empresas avaliam a compra do terreno de 170 mil metros quadrados, com a possibilidade de transformá-lo em um condomínio-clube, modelo bastante valorizado na região. Entre os interessados estão nomes como TGB, Cyrela, Tegra, Patrimar e Performance, mas a negociação está longe de um desfecho. O impasse envolve tanto o preço pedido pelas famílias donas do imóvel quanto a necessidade de amarrar o negócio à compra de potencial construtivo, etapa considerada decisiva para a viabilidade do projeto. E ainda há um terceiro elemento, que embaralha o tabuleiro e pode redefinir a disputa: a presença de Wilson Borges, da SOD Capital, e sua tentativa de controlar créditos urbanísticos no Rio. Neste artigo, você vai entender quem está na briga, por que a Barra voltou ao centro do mercado e quais obstáculos podem impedir a venda de avançar:

Quem quer comprar o Clube Marapendi — e por que o negócio ainda não saiu

O Clube Marapendi voltou ao centro das atenções do mercado imobiliário carioca porque reúne, ao mesmo tempo, escassez, localização e potencial de transformação. Em uma Barra da Tijuca cada vez mais carente de grandes áreas disponíveis, o terreno de 170 mil metros quadrados na Avenida das Américas se tornou uma raridade estratégica. Fontes do setor indicam que ao menos cinco incorporadoras acompanham a negociação, entre elas TGB, Cyrela, Tegra, Patrimar e Performance, todas interessadas na possibilidade de desenvolver um condomínio-clube em uma das regiões mais valorizadas do Rio. Mas a operação, que parece óbvia à primeira vista, esbarra em uma combinação de fatores que costuma travar negócios desse porte: expectativa de preço, estrutura jurídica complexa e dependência de potencial construtivo. No meio disso tudo, existe ainda uma variável de pressão que pode mudar o rumo da transação. A seguir, veja quem está de olho no ativo, por que ele ganhou tanta relevância e o que impede a venda de avançar com a velocidade que o mercado gostaria.

Quem quer o terreno do Clube Marapendi

A lista de interessados no Clube Marapendi mostra como o mercado está atento a qualquer oportunidade de grande escala na Barra da Tijuca. Segundo fontes ouvidas pelo setor, a TGB, de Rogério Chor, e a Cyrela chegaram a discutir uma atuação conjunta, o que faz sentido para dividir riscos, acelerar a estruturação e ganhar potência comercial em um projeto de grande porte. Além delas, Tegra, Patrimar e Performance também monitoram a possibilidade de entrada na operação. Em termos práticos, o interesse não é apenas no endereço, mas no que ele permite construir: um produto residencial de alto padrão, com perfil de condomínio-clube, bastante aderente ao público da região. A lógica é simples, mas poderosa: quando o estoque de grandes terrenos some, os poucos remanescentes se transformam em ativos disputados, com potencial de remuneração acima da média. O Clube Marapendi, por sua dimensão e posição, passou a representar exatamente isso. Fundado em 1964, ele ocupa uma área que hoje seria quase impossível replicar na mesma escala, especialmente em um eixo tão consolidado quanto a Avenida das Américas.

As negociações estão sendo conduzidas diretamente com as famílias Magaldi e Veiga de Almeida, proprietárias do clube, o que adiciona uma camada familiar e patrimonial à discussão. Nesses casos, o processo costuma ir além do preço puro e simples: envolve sucessão, modelo de saída, preservação de parte da área e desenho da contrapartida. Há dois formatos principais em discussão, e cada um muda profundamente a estrutura do acordo. De um lado, a compra integral do imóvel; de outro, a permuta por unidades futuras, mecanismo muito usado em operações imobiliárias em que o dono do terreno participa da valorização do projeto. Para as incorporadoras, a equação ideal seria fechar um ativo raro sem inflar demais o custo da terra. Para as famílias, o objetivo é capturar o valor máximo de um bem que, por décadas, foi símbolo da ocupação inicial da Barra. O problema é que, quando o mercado enxerga valor estratégico demais, a negociação tende a ficar mais lenta, mais sensível e muito mais difícil de concluir.

Por que o Clube Marapendi virou caso estratégico

O interesse pelo Clube Marapendi não nasce do nada. Ele é resultado direto da mudança de ciclo do mercado imobiliário carioca. Depois de anos concentrando lançamentos na Zona Sul, as incorporadoras voltaram os olhos para a Barra porque a região passou a oferecer um dos últimos estoques relevantes de terrenos grandes para produtos de alto padrão. Esse tipo de ativo é raro não só pela dimensão, mas pela capacidade de sustentar projetos com identidade forte, áreas de lazer amplas e tíquetes elevados. Em outras palavras: a Barra ainda conversa com o conceito de condomínio-clube, algo que combina com famílias, com a busca por segurança e com a preferência do comprador de renda mais alta por empreendimentos completos. Isso explica por que o Clube Marapendi entrou no radar com tanta força e por que a disputa é vista como um termômetro do apetite do mercado pela região. Quando um terreno desse porte aparece, ele imediatamente reorganiza prioridades e desperta análises de viabilidade de diferentes casas.

Há ainda um componente histórico que ajuda a entender a relevância do endereço. O clube foi um dos primeiros terrenos ocupados na área, em um tempo em que a Barra ainda era muito diferente da paisagem urbana atual, cercada por restingas e com acesso limitado. Outros clubes surgiram naquela mesma onda de ocupação inicial, como o Nevada Praia Clube, que fechou e deu lugar a um condomínio, e o Riviera Country Club, que foi encerrado e ainda aguarda novo destino. Esse movimento ajuda a ilustrar como a transformação urbana da Barra se dá por camadas: primeiro vem a ocupação institucional e de lazer, depois a pressão de mercado e, por fim, a reconversão imobiliária. Para entender esse processo com mais profundidade, vale acompanhar também estudos e notícias sobre urbanismo no Rio, como os publicados pela [Prefeitura do Rio](https://prefeitura.rio/) e por veículos especializados em mercado imobiliário. O caso do Clube Marapendi, portanto, não é isolado. Ele é um capítulo de uma lógica maior, em que terrenos históricos viram peças-chave de uma nova etapa de valorização da cidade.

Os obstáculos que travam a negociação

Se o interesse é alto, por que a venda não acontece? A resposta está em dois bloqueios centrais: preço e potencial construtivo. O primeiro é o mais óbvio. As famílias donas do clube e as incorporadoras ainda não chegaram a um número que satisfaça ambas as partes. Em operações desse tipo, o valor não depende apenas da metragem, mas do que pode ser feito com ela, do calendário do mercado e da expectativa de ganho futuro. Quando o ativo é raro, a ancoragem de preço sobe; quando o produto a ser desenvolvido tem alto potencial de venda, a conta fica ainda mais sensível. O segundo obstáculo é o mais técnico e talvez o mais decisivo: para viabilizar um condomínio no local, as incorporadoras precisam comprar potencial construtivo adicional. Sem isso, o projeto perde escala e deixa de fazer sentido econômico. Ou seja, não basta comprar o terreno. É preciso ampliar a possibilidade de construção para que o empreendimento entregue retorno compatível com o risco da operação.

A peça que embaralha o tabuleiro

É aqui que entra a variável mais delicada da negociação: Wilson Borges, da SOD Capital. Ele assinou a intenção de compra de 100% do potencial construtivo acumulado pelo Vasco da Gama no estádio de São Januário, cerca de 280 mil metros quadrados, com a intenção de revender esses créditos ao mercado. Na prática, isso criou uma espécie de gargalo no sistema. Como o empresário tenta há anos fazer uma venda casada, o mercado passou a enxergar o Vasco como fornecedor quase único dessa solução. Para as incorporadoras interessadas no Marapendi, entrar na operação isoladamente pode significar comprar uma briga com Wilson — e esse é um risco que ninguém parece disposto a assumir. O resultado é uma trava silenciosa, mas poderosa. Na teoria, existiriam outras fontes de potencial construtivo na cidade, como créditos ligados ao Autódromo e ao Parque Olímpico. Na prática, porém, a presença de Wilson no radar do Marapendi reduziu as alternativas e tornou o tabuleiro muito mais restrito. Até agora, nenhuma proposta formal foi apresentada ao Vasco, o que mantém o negócio em suspenso.

Esse tipo de impasse revela como o mercado imobiliário de grandes áreas no Rio depende de coordenação fina entre terra, legislação e créditos urbanísticos. Quando uma peça fica mal encaixada, toda a operação perde velocidade. E, no caso do Clube Marapendi, o tempo importa porque o mercado da Barra está aquecido e o interesse dos players tende a ser dinâmico: se os preços subirem demais ou a engenharia jurídica continuar complexa, o apetite pode esfriar. O ativo continua valioso, mas a janela de oportunidade não é infinita. O que falta, portanto, não é demanda. Falta destravar a equação para transformar intenção em assinatura.

O que essa disputa diz sobre a Barra

O caso do Clube Marapendi diz muito sobre a nova fase da Barra da Tijuca. Durante anos, a região foi associada a lançamentos em sequência, com oferta relativamente abundante e terrenos capazes de sustentar projetos grandiosos. Esse cenário mudou. A escassez de áreas grandes passou a pressionar os preços e aumentou a disputa por locais que, no passado, talvez não tivessem tanta atenção. Hoje, cada lote com escala suficiente para um condomínio de padrão alto se converte em ativo estratégico. E isso altera o comportamento das incorporadoras: algumas entram sozinhas, outras preferem dividir a aquisição, e quase todas monitoram instrumentos urbanísticos que permitam ampliar a viabilidade financeira do empreendimento. Nesse ambiente, o Clube Marapendi funciona como um teste de confiança do mercado na Barra e também como um teste de capacidade negociadora das famílias donas do imóvel.

Ao mesmo tempo, o caso ajuda a entender a maturidade do bairro como praça imobiliária. A Barra já não é mais apenas uma fronteira de expansão; ela é um mercado consolidado, com demanda, produto e narrativa próprios. A busca por empreendimentos de grande porte reflete um comprador que valoriza infraestrutura, áreas comuns generosas e sensação de enclave urbano, características muito alinhadas ao conceito de condomínio-clube. Por isso, a disputa não é só por um terreno. É por uma chance de capturar um ciclo de valorização ainda em andamento. E, em um mercado assim, quem consegue ler o momento antes dos concorrentes sai na frente com uma vantagem que pode render anos de resultado.

O que pode acontecer agora

O desfecho do caso pode seguir alguns caminhos. O mais direto seria uma venda integral do imóvel, desde que as famílias cheguem a um preço considerado justo pelas incorporadoras. Outro cenário possível é a permuta por apartamentos, o que permitiria às donas do clube participar da valorização futura sem receber tudo à vista. Também existe a chance de a operação ser fatiada em etapas, com negociação do terreno e dos créditos urbanísticos em momentos diferentes. O que parece menos provável, neste momento, é uma solução rápida. A combinação de interesses múltiplos, ativo escasso e dependência regulatória torna a assinatura mais lenta do que o mercado gostaria. Ainda assim, a presença de cinco incorporadoras no radar mostra que o projeto tem força real. Quando tantos players olham para o mesmo endereço, é porque o ativo tem algo de especial — e o Clube Marapendi tem bastante.

Para o leitor do mercado imobiliário, a grande lição é clara: no Rio, os melhores negócios nem sempre são os mais fáceis. Às vezes, eles exigem visão de longo prazo, leitura jurídica precisa e negociação cirúrgica. O Marapendi reúne exatamente esse tipo de desafio. Se a operação sair, deve virar um marco de desenvolvimento na Barra. Se não sair, provavelmente continuará como um dos casos mais emblemáticos da disputa por grandes áreas urbanas no Rio. De um jeito ou de outro, o mercado vai seguir de olho — porque, quando o terreno é raro e o potencial é alto, a partida nunca termina de verdade. É esse tipo de xadrez imobiliário que separa a intenção da transformação, e é justamente aí que o jogo fica interessante.