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Acontece no mercado imobiliário

QuintoAndar aposta R$ 2 bi em IA no imobiliário

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

18 de junho de 2026

tempo de leitura:

13 min

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O QuintoAndar decidiu dobrar a aposta em tecnologia para não perder espaço na próxima grande virada do setor: a inteligência artificial. A empresa vai destinar R$ 2 bilhões em dois anos para desenvolver ferramentas capazes de acelerar negociações, apoiar corretores, automatizar tarefas repetitivas e melhorar a experiência de clientes que compram, vendem ou alugam imóveis. Segundo Gabriel Braga, cofundador e CEO, a mudança já está em curso e tende a transformar profundamente buscas, precificação, preenchimento de dados e etapas de transação. Ao mesmo tempo, a companhia reforça que a tecnologia não elimina o valor humano, mas aumenta a produtividade e a profissionalização dos profissionais do mercado. No artigo abaixo, você vai entender como essa estratégia muda o jogo, quais são os próximos passos da empresa e por que essa corrida pela IA pode redesenhar o futuro do setor imobiliário brasileiro:

O que está por trás do aporte bilionário

O QuintoAndar decidiu acelerar uma mudança que já vinha sendo desenhada nos bastidores do mercado: a integração profunda da inteligência artificial no dia a dia das operações imobiliárias. A empresa anunciou que vai investir R$ 2 bilhões em inteligência artificial ao longo dos próximos dois anos, em uma estratégia que mira eficiência, escala e uma nova camada de automação para clientes, corretores e times internos. Na prática, o objetivo é encurtar caminhos em processos que historicamente dependem de muitas etapas manuais, como triagem de oportunidades, organização de dados, acompanhamento de negociações e apoio à precificação. Trata-se de uma aposta para ganhar velocidade num setor em que tempo, confiança e precisão costumam decidir a conversão. Gabriel Braga, cofundador e CEO da companhia, foi direto ao resumir a urgência: sem esse movimento, a empresa corre o risco de ficar para trás.

Esse tipo de investimento também revela algo maior do que uma simples atualização tecnológica. O QuintoAndar está tentando reposicionar sua plataforma para a próxima fase do mercado imobiliário, em que a jornada do cliente tende a ser cada vez mais assistida por sistemas inteligentes. Isso inclui buscas mais refinadas, respostas instantâneas, suporte na coleta de informações e até recomendações mais assertivas com base em comportamento e contexto. Em vez de tratar a IA como acessório, a empresa a coloca no centro da operação. E o sinal é claro: quem souber usar dados e automação para reduzir atrito terá vantagem competitiva. Para o setor imobiliário, isso significa que a inteligência artificial no mercado imobiliário deixa de ser promessa distante e passa a ser uma alavanca concreta de produtividade e diferenciação.

Corretores mais produtivos, times mais rápidos

Uma parte relevante do aporte será direcionada às equipes de desenvolvimento, com foco na criação de ferramentas baseadas em IA. Segundo a companhia, cerca de 80% do código produzido hoje já conta com participação de inteligência artificial, um dado que ajuda a dimensionar a mudança cultural e operacional em curso. Braga afirmou que a produtividade dos engenheiros está entre três e cinco vezes maior, o que permite lançar novos recursos, melhorar produtos existentes e testar soluções com muito mais agilidade. Em um mercado de tecnologia cada vez mais competitivo, esse ganho de velocidade pode ser decisivo para transformar ideias em produto antes dos concorrentes. E, no mercado imobiliário, cada melhoria incremental pode refletir diretamente em leads mais qualificados, funis mais curtos e uma experiência de uso mais fluida.

Do ponto de vista comercial, a empresa quer que a IA funcione como uma espécie de copiloto do corretor. Isso significa menos tempo gasto com tarefas repetitivas e mais tempo dedicado a relacionamento, negociação e fechamento. Em vez de substituir o profissional, a tecnologia deve organizar informações, reduzir dúvidas e automatizar partes da rotina que hoje consomem horas. Para uma agência, incorporadora ou imobiliária, essa lógica é poderosa: o corretor deixa de ser apenas executor de tarefas e passa a operar com inteligência assistida, apoiado por dados mais confiáveis e respostas mais rápidas. O resultado esperado é um aumento de conversão, com atendimento mais consistente e menos perda de oportunidades ao longo do funil.

Automação com propósito, não por modismo

Há uma diferença importante entre adotar IA para parecer inovador e incorporá-la para resolver problemas reais. No caso do QuintoAndar, a prioridade parece ser a segunda opção. O foco está em tarefas que impactam o desempenho comercial e a experiência do cliente, como organizar etapas da negociação, ajudar na busca por imóveis com maior aderência ao perfil do comprador e apoiar o preenchimento de dados com menos fricção. Em mercados complexos, tecnologia de verdade é aquela que remove obstáculos sem criar novos. Por isso, a iniciativa tende a ganhar tração justamente porque está ligada a dores concretas do setor e não apenas a uma narrativa de modernidade.

Esse movimento também conversa com a pressão por produtividade em toda a cadeia. Quando um corretor consegue responder mais rápido, centralizar informações e acompanhar negociações com apoio de sistemas inteligentes, a chance de fechamento melhora. Quando o time interno consegue lançar funcionalidades em ciclos mais curtos, a empresa aprende mais cedo e erra menos. E quando o cliente percebe um atendimento mais simples, a percepção de valor sobe. Em outras palavras, a automação não elimina a dimensão humana da transação; ela a fortalece ao liberar tempo para o que realmente importa.

Por que o mercado não vai trocar pessoas por máquinas

Apesar do entusiasmo com a tecnologia, o QuintoAndar faz questão de rejeitar a ideia de que a IA vá substituir os profissionais do setor imobiliário. Essa é uma posição relevante porque ajuda a equilibrar expectativa e realidade. O mercado imobiliário continua sendo um negócio de alta confiança, no qual detalhes regionais, sensibilidade de negociação e leitura de contexto fazem diferença. Mesmo com mais dados disponíveis, compradores e vendedores ainda querem alguém que conheça a região, entenda o momento da transação e ofereça segurança na decisão. É exatamente nesse ponto que a empresa enxerga o papel da tecnologia: ela pode reduzir ruídos, acelerar análises e organizar a informação, mas não substitui a credibilidade construída na relação humana.

Na prática, a inteligência artificial no mercado imobiliário tende a elevar o padrão médio de atuação dos profissionais, em vez de eliminá-los. Gabriel Braga resumiu essa visão ao dizer que a IA vai aumentar a profissionalização dos corretores e subir a média de todo mundo. Isso faz sentido porque a tecnologia cria uma base comum de eficiência, permitindo que até operações menores tenham acesso a ferramentas antes restritas a grandes players. Para imobiliárias e incorporadoras, a mensagem é estratégica: quem integrar IA à rotina comercial e de atendimento poderá competir em patamar mais alto, com menos desperdício de tempo e mais consistência na jornada do cliente.

Esse cenário também aponta para uma transformação do perfil do corretor. O profissional mais valorizado será aquele capaz de combinar relacionamento, repertório local e leitura de dados. Em vez de competir com a máquina, ele usará a máquina para ganhar precisão. E, quando isso acontece, a tecnologia deixa de ser ameaça e passa a funcionar como extensão da capacidade humana. O mercado não fica menos humano; ele fica mais inteligente.

Expansão, IPO e o próximo movimento do QuintoAndar

Além do investimento em IA, o CEO comentou a intenção de ampliar a presença física da empresa. Hoje, o QuintoAndar opera diretamente apenas em São Paulo e Belo Horizonte, com o trabalho regional em outras praças sendo realizado por imobiliárias menores. A nova fase deve incluir a abertura de escritórios nas principais capitais do Sudeste e do Sul, o que indica um apetite maior por presença regional e relacionamento com mercados locais. Para uma empresa que nasceu digital, esse movimento mostra que escala não dispensa proximidade quando o objetivo é capturar oportunidades em mercados competitivos. A expansão territorial, nesse caso, pode funcionar como complemento à expansão tecnológica.

Braga também falou sobre o interesse em abrir capital, embora sem data definida e sem pressa. O eventual IPO seria fora do País, um detalhe que reforça a ambição internacional da companhia, mas sem comprometer o foco imediato na execução. Em empresas de tecnologia, sobretudo em segmentos tão sensíveis como o imobiliário, timing é tudo. Crescer demais sem maturidade operacional pode ser arriscado; avançar com consistência, por outro lado, fortalece a tese de longo prazo. Por isso, a combinação entre investimento robusto em produto, expansão regional e visão de mercado sugere uma empresa tentando se posicionar para o próximo ciclo, não apenas reagir ao presente.

Para o ecossistema imobiliário, essa leitura é importante porque mostra que o setor não está apenas digitalizado: está entrando em uma fase de inteligência operacional. A disputa já não é só por presença online, mas por capacidade de integrar dados, automação e atendimento qualificado. Quem dominar essa tríade terá mais vantagem para crescer de forma sustentável.

O futuro chegou ao imobiliário

O anúncio do QuintoAndar não deve ser lido apenas como uma notícia sobre tecnologia. Ele é um termômetro de para onde o mercado imobiliário está indo. Em vez de imaginar a IA como tendência distante, a empresa está tratando o tema como infraestrutura estratégica. Isso muda a régua de competitividade e pressiona todo o setor a repensar processos, atendimento e produtividade. Em um ambiente onde cada lead pode valer muito, ganhar rapidez sem perder qualidade virou vantagem decisiva. E a organização que souber combinar automação com confiança tende a capturar mais valor.

No fim, a grande lição é simples: o futuro do mercado imobiliário não será uma batalha entre pessoas e máquinas, mas entre quem usa melhor as máquinas e quem insiste em trabalhar como antes. O movimento bilionário do QuintoAndar mostra que a tecnologia já não é um extra, e sim parte central da estratégia. Para corretores, imobiliárias e incorporadoras, o recado é direto: a transformação já começou, e ela favorece quem decide aprender, adaptar e liderar. Quem acompanha essa virada de perto sai na frente; quem ignora, corre o risco de virar nota de rodapé.