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Acontece no mercado imobiliário

Retorno ao presencial muda o mercado de escritórios

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

7 de maio de 2026

tempo de leitura:

13 min

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A rotina 100% presencial já voltou a ser realidade para a maioria dos trabalhadores brasileiros, segundo pesquisa da WeWork com a Offerwise. O levantamento mostra que 63% dos profissionais estão no modelo totalmente presencial, enquanto apenas 12% seguem remotos e 20% adotaram alguma configuração híbrida. O dado mais revelador, porém, está na diferença entre o que as empresas exigem e o que os trabalhadores desejam: embora 79% dos presenciais estejam submetidos a políticas formais de ida ao escritório, só 19% preferem essa rotina integral. O híbrido desponta como favorito, com 60% das respostas, seguido pelo remoto, com 21%. A pesquisa também mostra que o deslocamento continua sendo o maior desgaste do dia a dia corporativo, citado por 65% dos entrevistados, além dos custos de transporte, alimentação e vestuário. Neste artigo, você vai entender o que esse movimento revela sobre produtividade, benefícios e o novo papel dos escritórios no mercado imobiliário:

O retorno ao escritório já deixou de ser tendência e virou realidade para boa parte do país.

Uma pesquisa recente da WeWork, em parceria com a Offerwise, mostra que 63% dos trabalhadores brasileiros já atuam em regime totalmente presencial. Ao mesmo tempo, apenas 12% seguem no remoto e 20% trabalham em modelos híbridos, com diferentes combinações de dias no escritório. O dado chama atenção porque revela uma mudança importante: a presença física voltou a ganhar força nas empresas, mas isso não significa que ela tenha conquistado os profissionais. Pelo contrário, quando perguntados sobre o formato ideal, só 19% escolheram o presencial integral, enquanto 60% preferem o híbrido e 21% ainda valorizam o remoto. Ou seja, a decisão corporativa avançou mais rápido do que a preferência de quem está na ponta. E isso tem implicações diretas para produtividade, cultura, atração de talentos e, claro, para o mercado de escritórios. A seguir, veja o que essa virada representa na prática, onde estão os principais atritos da rotina presencial e por que o escritório precisa entregar mais do que mesas e cadeiras para continuar relevante:

O retorno ao escritório já é a nova regra

O avanço do presencial no Brasil não acontece por acaso. Em muitas empresas, a exigência de presença física deixou de ser um arranjo provisório para se tornar regra formal. Entre os profissionais que trabalham presencialmente, 79% afirmam estar submetidos a políticas definidas de ida ao escritório, o que indica um cenário de maior controle da jornada e menos autonomia na escolha do local de trabalho. Isso ajuda a explicar por que o modelo totalmente presencial voltou a ocupar tanto espaço nas rotinas corporativas. Ainda assim, a consolidação desse formato não elimina o fato de que o mercado de trabalho mudou. O profissional passou a comparar o escritório não apenas com outra empresa, mas com o próprio lar, que hoje oferece conforto, silêncio, flexibilidade e menor tempo perdido em deslocamento. Nesse novo jogo, a empresa precisa justificar por que vale a pena sair de casa. E essa justificativa não pode se resumir à presença física em si. O retorno ao escritório só se sustenta quando existe valor real na experiência diária: propósito, colaboração, estrutura adequada, liderança clara e um ambiente que favoreça encontros produtivos. Sem isso, a volta se transforma em obrigação, não em vantagem competitiva.

Outro ponto relevante é que a retomada do presencial não acontece de forma homogênea. O estudo mostra que 12% dos trabalhadores estão em regime híbrido de três dias presenciais, 5% em dois dias e 3% em apenas um dia por semana. Essa diversidade de arranjos revela que as empresas ainda testam modelos, calibram expectativas e tentam equilibrar controle e flexibilidade. Para o mercado imobiliário corporativo, isso significa uma demanda mais sofisticada: não basta oferecer lajes grandes ou endereços nobres. O espaço de trabalho precisa responder a uma lógica de uso mais frequente, mais intensa e mais estratégica. Em vez de um local fixo de permanência, o escritório passa a funcionar como centro de conexão, cultura e performance. É uma mudança de paradigma que impacta desde a concepção dos empreendimentos até a forma como as companhias ocupam, decoram e gerenciam seus ambientes.

O que faz o presencial perder espaço

Se o escritório voltou a crescer na agenda das companhias, isso não significa que a experiência presencial tenha melhorado na mesma velocidade. Na prática, os principais incômodos da rotina continuam os mesmos — e, em alguns casos, ficaram ainda mais visíveis depois da adoção do trabalho remoto. O maior deles é o deslocamento, apontado por 65% dos entrevistados como o principal desgaste do dia a dia presencial. Tempo no trânsito, conexões de transporte e desgaste físico entram na conta antes mesmo do expediente começar. E o custo não é apenas mental. Gastos com alimentação, transporte e vestuário também aparecem entre os fatores mais citados, reforçando que a volta ao escritório tem impacto financeiro direto no bolso do trabalhador.

Essa percepção ajuda a explicar por que o híbrido segue na liderança da preferência. Ele não elimina a importância do encontro presencial, mas reduz a frequência dos custos e do cansaço associados à presença diária. Ao mesmo tempo, os números mostram que o vínculo com o escritório não desapareceu. O levantamento indica que 68% dos entrevistados acreditam que a flexibilidade melhora o desempenho profissional, o que sugere que autonomia e produtividade são vistas como complementares, não como opostas. Em outras palavras: os profissionais não rejeitam o trabalho, rejeitam a rigidez. E essa diferença é decisiva.

Também vale observar como a disposição para permanecer em uma empresa se tornou mais complexa. Metade dos entrevistados afirma que o modelo de trabalho não interfere diretamente na permanência, mas 30% dizem que não aceitariam voltar ao presencial integral. Esse grupo é relevante porque representa uma parcela da força de trabalho para a qual flexibilidade deixou de ser benefício e passou a ser condição mínima. Além disso, oito em cada dez entrevistados aceitariam um trabalho presencial se os benefícios fossem melhores, o que revela um novo tipo de negociação: o colaborador troca parte da liberdade por compensações mais claras, seja em bem-estar, crescimento, salário ou qualidade de vida. Nesse contexto, o presencial deixa de ser uma imposição genérica e passa a competir com uma proposta de valor mais ampla.

A experiência do espaço ganha peso

É nesse ponto que o escritório precisa se reinventar. O ambiente corporativo não disputa mais apenas com outras sedes, mas com o conforto da casa e com a liberdade do trabalho distribuído. Por isso, empresas que insistirem em trazer pessoas de volta sem melhorar a experiência correm o risco de perder engajamento. Ruído excessivo, falta de áreas de concentração e layout pouco funcional pesam mais do que antes. O escritório eficiente de hoje precisa combinar colaboração e foco, encontro e privacidade, tecnologia e conforto. Quando isso acontece, a ida ao escritório deixa de ser uma obrigação para se tornar uma escolha racional dentro de uma rotina bem desenhada.

O impacto para as empresas e para o imobiliário

Do ponto de vista empresarial, os dados reforçam que a estratégia de trabalho não pode ser tratada apenas como política interna de RH. Ela afeta contratação, retenção, produtividade e até a reputação da marca empregadora. Se o presencial voltou com força, isso não significa que a empresa venceu a disputa cultural com os profissionais. Significa apenas que a correlação de forças ainda está em aberto. Quem deseja manter times engajados precisa criar uma experiência coerente com as novas expectativas: liderança preparada, reuniões mais objetivas, espaços de convivência bem pensados e benefícios que compensem parte do esforço do deslocamento. O estudo deixa claro que flexibilidade, bem-estar e crescimento profissional passaram a dividir espaço com salário e estabilidade na avaliação de um emprego. Isso amplia a responsabilidade da gestão, que precisa olhar o trabalho presencial como uma proposta de valor, não como uma regra automática.

No mercado imobiliário, especialmente no segmento corporativo, o movimento é igualmente relevante. A demanda por escritórios não some quando o híbrido cresce; ela muda de perfil. Imóveis bem localizados, com boa conectividade, infraestrutura de serviços e plantas adaptáveis tendem a ganhar vantagem. Já projetos engessados, pouco eficientes ou distantes dos eixos de mobilidade perdem atratividade. O retorno ao presencial, nesse sentido, pode reaquecer a busca por espaços de qualidade, mas também aumentar a exigência sobre a entrega do ativo. Para incorporadoras, investidores e gestores, o desafio está em entender que o escritório do futuro precisa ser mais funcional, mais flexível e mais alinhado à experiência do usuário. O endereço importa, mas já não basta.

Se você quiser acompanhar esse debate por uma ótica mais ampla, vale observar como a transformação do trabalho também tem impacto em modelos de ocupação corporativa e em discussões sobre produtividade no mercado global de trabalho. O Brasil está inserido nessa transição, mas com características próprias: deslocamentos longos, custo de vida elevado nas grandes capitais e uma cultura empresarial ainda em ajuste. Isso faz com que a definição do regime de trabalho seja uma decisão estratégica, e não apenas operacional.

Quando o escritório precisa valer a pena

O dado mais poderoso da pesquisa talvez seja simples: não vence a empresa que obriga, mas a que convence. Essa frase resume o espírito do novo ciclo do trabalho presencial. O escritório continua importante, mas precisa provar seu valor todos os dias. Para o profissional, ir até ele deve significar mais do que cumprir presença. Deve representar avanço, troca, aprendizado, acesso e desempenho. Quando isso acontece, a presença física deixa de ser custo e passa a ser investimento.

Para o mercado imobiliário e para as marcas empregadoras, essa é uma oportunidade estratégica. Há espaço para imóveis corporativos mais inteligentes, ambientes mais humanos e experiências de trabalho mais consistentes. O futuro não parece caminhar para o fim do escritório, mas para sua reinvenção. E quem entender isso primeiro terá vantagem na atração de talentos, na ocupação dos espaços e na construção de culturas mais fortes. No fim das contas, o presencial segue vivo — mas agora com uma exigência clara: ele precisa fazer sentido. E, quando faz, pode ser uma poderosa alavanca de produtividade, conexão e valor para empresas e profissionais.