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Acontece no mercado imobiliário

Chieko Aoki acelera expansão da Blue Tree

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

6 de maio de 2026

tempo de leitura:

13 min

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Aos 77 anos, Chieko Aoki continua conduzindo a Blue Tree com a energia de quem ainda enxerga oportunidades em cada corredor de hotel, em cada destino turístico e em cada novo projeto imobiliário. Ícone da hotelaria nacional, ela falou sobre expansão, retomada do turismo, disciplina operacional e os próximos passos da rede, que busca crescer de forma estratégica até o fim de 2027. Entre memórias de sua trajetória, crises superadas e a defesa de um serviço impecável, a empresária mostrou por que segue sendo uma das figuras mais influentes do setor. No caminho, aparecem Rio de Janeiro, Amazônia, Foz do Iguaçu e cidades ligadas ao agronegócio, além de uma reflexão importante sobre como hotelaria e mercado imobiliário caminham juntos. A seguir, você vai entender os planos de crescimento, a visão de Chieko sobre o setor e os aprendizados que deixam qualquer operação mais forte:

Energia que não desacelera

Aos 77 anos, Chieko Aoki parece ter feito da própria carreira uma demonstração prática de longevidade, disciplina e leitura de mercado. No palco do Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, ela não soou como alguém em fase de retirada, mas como uma executiva em plena arrancada. A fundadora da Blue Tree falou sobre hotéis, destinos, planejamento e sobre a disposição de seguir expandindo a rede, com a mesma firmeza de quem aprendeu cedo que negócios dependem de execução, visão e coragem para atravessar tempestades. Em um setor em que muitos projetos nascem e morrem no papel, a trajetória da empresária chama atenção justamente por combinar ambição com consistência.

Esse vigor ganha ainda mais relevância porque a hotelaria brasileira voltou a respirar com mais confiança depois de anos difíceis. A combinação entre retomada econômica, avanço do turismo internacional e reocupação de ativos hoteleiros recolocou o setor no radar de investidores. Chieko, que conhece tanto o luxo internacional quanto a operação voltada a preços mais acessíveis, enxerga esse movimento como uma janela concreta de oportunidades. A Blue Tree quer aproveitar esse ciclo com disciplina, mas sem perder a agressividade estratégica que marcou sua história. E é justamente nessa mistura de memória, presente e planos futuros que está a força da empresária.

A força da hotelaria brasileira

O momento atual do setor ajuda a explicar por que Chieko voltou a falar com tanta ênfase em expansão. Depois de uma década marcada por crise doméstica, aperto no crédito e impacto profundo da pandemia, a hotelaria brasileira começa a recuperar fôlego com uma nova composição de demanda. O recorde de turistas estrangeiros no país reforçou a percepção de que o Brasil tem ativos competitivos, desde destinos urbanos até regiões de lazer com forte apelo natural. Ao mesmo tempo, a relação entre hospedagem e desenvolvimento regional ficou ainda mais evidente: quando um hotel se instala, ele movimenta fornecedores, empregos, transporte, eventos e, claro, o mercado imobiliário ao redor.

Chieko acompanha essa dinâmica com olhar de quem sempre entendeu hotel como parte de um ecossistema maior. Para ela, a retomada não depende apenas de ocupação alta, mas de localização inteligente, operação eficiente e leitura precisa do comportamento do hóspede. Por isso, faz sentido a Blue Tree olhar para cidades com força corporativa e também para destinos de lazer com potencial crescente. O Rio de Janeiro, onde a rede não opera desde 2019, voltou ao mapa. Amazônia e Foz do Iguaçu surgem como apostas de turismo de experiência. Já municípios ligados ao agronegócio aparecem como oportunidades ligadas a eventos, viagens de negócios e mobilidade executiva, em um tipo de demanda que conversa diretamente com incorporadoras, proprietários e investidores imobiliários.

Esse raciocínio explica por que a empresária não enxerga a retomada como um movimento genérico, mas como uma disputa pela qualidade das oportunidades. Em vez de seguir modismos, ela prefere buscar endereços em que a operação faça sentido e a conta feche com previsibilidade. Esse comportamento também ajuda a entender por que a Blue Tree manteve sua presença no país mesmo atravessando os anos mais duros do mercado. Em outras palavras, a marca não cresceu apenas quando o vento estava a favor; ela permaneceu viva porque soube ajustar o ritmo sem abandonar a ambição. E, no setor, isso faz diferença entre sobreviver e liderar.

Expansão com visão imobiliária

Quando Chieko fala em abrir novos hotéis, ela não está falando apenas de operação hoteleira. Está falando de localização, ocupação de ativo, vocação territorial e parceria com quem desenvolve imóveis ou administra propriedades. Até o fim de 2027, a empresária espera lançar mais oito unidades da Blue Tree, mantendo o foco em uma expansão seletiva e alinhada ao potencial de cada mercado. O plano inclui cidades com perfil corporativo, polos regionais e destinos turísticos que possam sustentar tarifa, fluxo e rentabilidade ao longo do ano. Essa é uma leitura madura do negócio, especialmente em um país em que o desempenho de um hotel depende tanto da demanda quanto da estrutura física disponível.

No discurso da executiva, há um componente importante para quem acompanha o mercado imobiliário: hotelaria é, em essência, um ativo de uso e operação. Não basta construir; é preciso manter padrão, experiência e reputação. É por isso que decisões como voltar ao Rio, avaliar Amazônia e Foz do Iguaçu ou explorar cidades do agronegócio exigem mais do que entusiasmo. Elas pedem análise de fluxo, perfil de público, custo de implantação, sazonalidade e capacidade de conversão comercial. Quando bem estruturado, um hotel valoriza o entorno, melhora a atratividade de um empreendimento e amplia a percepção de qualidade de uma região inteira. Quando mal planejado, vira um passivo caro e difícil de sustentar.

Planejamento e execução no mesmo compasso

Chieko costuma resumir sua filosofia em uma ideia simples: planejamento de longo prazo com execução diária impecável. Essa combinação ajuda a explicar por que a Blue Tree segue ativa e relevante, mesmo após mudanças profundas no setor. Em vez de perseguir crescimento apenas por volume, a empresa parece priorizar o encaixe entre produto, mercado e operação. Isso é especialmente valioso em um cenário de custos elevados, crédito seletivo e competição crescente com modelos alternativos de hospedagem. A empresária não esconde que deixou de lado certos formatos que, para ela, não faziam sentido. Ao mesmo tempo, deixa claro que o momento atual voltou a favorecer quem está preparado para investir com método.

Há também uma mensagem prática para quem desenvolve empreendimentos: a hotelaria forte nasce de decisões assertivas sobre terreno, incorporação, padrão construtivo e gestão profissional. Não por acaso, os melhores projetos do setor costumam combinar marca, localização e engenharia financeira. Nesse sentido, a hotelaria brasileira amadureceu ao aprender que não existe crescimento consistente sem governança, controles e leitura do ciclo imobiliário. Chieko sintetiza esse pensamento com sua própria trajetória: enfrentar crises, vender ativos quando necessário, recomeçar e voltar a investir quando o cenário oferece base suficiente. É um ciclo de resiliência que conversa diretamente com a lógica de quem constrói valor no longo prazo.

Lições de liderança e sucessão

Se há algo que marca a trajetória de Chieko Aoki além dos números, é o estilo de liderança. A empresária construiu reputação de exigência, atenção aos detalhes e presença constante na operação. Ela visita hotéis, acompanha equipes, cobra padrões e trata a experiência do cliente como ativo central do negócio. Esse perfil, que muitos no setor definem como rigoroso, foi justamente o que ajudou a consolidar sua imagem de referência. Em mercados competitivos, a diferença entre uma rede comum e uma marca lembrada costuma estar menos no discurso e mais na disciplina com que as promessas são entregues.

Ao mesmo tempo, a empresária sabe que negócios longevos precisam pensar em continuidade. O tema da sucessão aparece de forma natural para quem construiu uma companhia com décadas de história. Há, sim, nomes próximos à operação, como seu sobrinho Felipe Nishimura, mas Chieko prefere não transformar a transição em um assunto público precipitado. Ela afirma ter um plano, embora o mantenha em reserva. Essa postura revela algo importante: liderança forte não é apenas centralizar decisões, mas garantir que a empresa funcione mesmo quando o comando muda de mãos. Em setores como hospitalidade e imobiliário, onde reputação e confiança contam tanto, a sucessão mal planejada pode destruir valor rapidamente.

Outro ponto relevante é que Chieko nunca tratou sua trajetória como um acidente de sorte. Da infância no Japão ao crescimento no Brasil, da formação em direito à especialização em Cornell, ela foi construindo repertório para tomar decisões em ambientes complexos. O resultado é uma liderança que mistura precisão, visão internacional e leitura local. Para quem acompanha o mercado imobiliário e hoteleiro, a lição é clara: empresas relevantes não nascem apenas de capital, mas de cultura, método e capacidade de adaptação. E esse talvez seja o maior patrimônio da fundadora da Blue Tree.

Na marcha adiante da Blue Tree

A história de Chieko Aoki ajuda a entender por que algumas marcas atravessam gerações sem perder força. Em vez de se acomodar na memória do que já foi feito, ela continua olhando para frente, escolhendo batalhas e preservando o que considera essencial: cuidado com o cliente, padrão de serviço e visão estratégica. A Blue Tree administra hoje 22 hotéis e cerca de 4 mil quartos em diferentes regiões do país, mantendo presença em endereços urbanos e resorts. A expansão recente em Sorriso, no Mato Grosso, mostra que a companhia segue atenta a novos vetores de demanda, especialmente aqueles ligados ao dinamismo econômico do interior.

No fim das contas, a mensagem deixada pela empresária é de movimento. Não há glamour duradouro sem operação consistente, nem crescimento sólido sem leitura de mercado. Chieko continua acelerando porque entende que a hospitalidade é feita de pessoas, processos e lugares bem escolhidos. E, para quem observa a interseção entre hotelaria e mercado imobiliário, isso significa enxergar mais do que quartos: significa identificar vocações, ativar territórios e criar experiências que sustentem valor por muitos anos. Se a Blue Tree ainda está com o pé no acelerador, é porque sua fundadora nunca aceitou que o mercado dita o ritmo sozinha. Ela prefere conduzir a curva.