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Acontece no mercado imobiliário

Itaú BBA vê oportunidade em incorporadoras baratas

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

5 de maio de 2026

tempo de leitura:

14 min

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A recente escalada do petróleo e a pressão sobre insumos ligados à energia e ao frete reacenderam o alerta no mercado imobiliário, especialmente entre as incorporadoras de baixa renda, que têm menor capacidade de repassar custos. Mesmo assim, o Itaú BBA avalia que a forte queda das ações do setor criou uma janela de entrada interessante, com preços que podem estar exagerando um cenário muito pior do que o projetado pelo banco. Para os analistas, a desvalorização recente não encontra amparo suficiente nos fundamentos, sobretudo para empresas com execução consistente e bom posicionamento no Minha Casa Minha Vida. Neste artigo, você vai entender por que o banco enxerga oportunidade onde o mercado viu risco, quais companhias aparecem mais bem posicionadas e como a inflação de custos pode mexer nas margens e nos lucros do setor:

Itaú BBA vê oportunidade nas incorporadoras de baixa renda

A forte volatilidade recente nas ações de construtoras expôs uma divisão clara entre medo e oportunidade. De um lado, a escalada do petróleo, a pressão sobre o frete e a alta de materiais como PVC, tintas, cimento e aço reacenderam a preocupação com a inflação de custos no setor imobiliário. De outro, o Itaú BBA avalia que o mercado reagiu com excesso de pessimismo, sobretudo nas incorporadoras de baixa renda, e passou a embutir um cenário muito mais duro do que o esperado pelos próprios analistas. O resultado foi uma queda expressiva dos papéis em poucas semanas, mesmo com fundamentos operacionais ainda considerados sólidos em várias companhias.

O banco reconhece que o ambiente pede cautela. Empresas ligadas ao Minha Casa Minha Vida têm menor espaço para repassar aumentos de custos, o que pode pressionar margens no curto prazo. Ainda assim, a leitura do BBA é de que a recente desvalorização abriu uma assimetria interessante para quem olha o setor com horizonte mais longo. Em vez de interpretar a alta dos custos como uma ruptura estrutural, os analistas entendem que o impacto tende a ser manejável, especialmente para incorporadoras com boa execução comercial, disciplina operacional e capacidade de ajustar preços. A seguir, veja como o mercado precificou o risco, por que o cenário-base do banco é menos severo e quais nomes aparecem como destaque nessa leitura mais estratégica:

O que o mercado já colocou no preço

Nas últimas duas semanas, o setor de incorporação de baixa renda sofreu uma correção muito mais intensa do que o Ibovespa. Enquanto o índice recuou cerca de 7%, algumas ações do segmento caíram entre 15% e 25%. Para o Itaú BBA, esse movimento mostra que o mercado já está antecipando um choque relevante nos custos de construção, como se o pior cenário possível fosse inevitável. Em outras palavras, o investidor passou a olhar para as empresas do Minha Casa Minha Vida com uma lupa de risco, supondo uma deterioração mais profunda da rentabilidade e dos lucros do que a economia real, até aqui, necessariamente indica.

Esse comportamento não veio do nada. A alta do petróleo voltou a pressionar insumos diretamente conectados à cadeia da construção civil, além de aumentar a incerteza sobre despesas com logística e energia. Em momentos assim, o setor costuma ser punido primeiro e explicado depois. Só que, na avaliação do banco, há uma diferença importante entre reconhecer pressão e assumir colapso de margens. O mercado parece estar assumindo retração mais dura nos resultados ou uma inflação de custos próxima de 18%, patamar comparável ao observado no pico da pandemia. Se isso de fato se confirmasse, a leitura pessimista faria mais sentido. Mas o BBA entende que esse não é o caso-base atual, o que muda bastante a relação entre risco e retorno para o investidor.

Outro ponto relevante é que empresas com histórico de execução mais eficiente podem absorver melhor o choque. Quando a operação é bem calibrada, a combinação entre vendas consistentes, controle de repasses e disciplina de obra ajuda a amortecer a pressão sobre margens. Por isso, ainda que o mercado tenha decidido “descontar o susto” de forma agressiva, o banco vê nesse ajuste uma oportunidade seletiva, e não um sinal de deterioração generalizada do setor.

O cenário-base do Itaú BBA

A tese central do Itaú BBA é que a inflação de custos deve subir, mas em ritmo inferior ao que o mercado está embutindo hoje. Os analistas projetam uma alta entre 10% e 11% em 2026, o que já é suficiente para reduzir lucros projetados em até 15%, mas ainda distante de um quadro extremo. Nesse cenário, o impacto mais sensível deveria ocorrer em 2026, quando a margem bruta do setor tende a cair cerca de 1,6 ponto percentual. É uma pressão relevante, sem dúvida, mas não uma ruptura capaz de desmontar o caso de investimento das melhores companhias do segmento.

Essa diferença de premissas é justamente o que sustenta a visão mais construtiva do banco. Se o mercado insiste em precificar um cenário mais severo, qualquer resultado que venha um pouco acima do medo corrente pode gerar reprecificação positiva relevante. E há uma segunda camada nessa conta: caso a inflação de custos não acelere como o esperado, as incorporadoras que conseguirem aumentar preços poderão entregar margens recordes. Esse é o tipo de assimetria que o investidor institucional costuma buscar, especialmente em momentos de ruído macroeconômico e aversão ao risco.

Na prática, o BBA não está ignorando os riscos. O ponto é que a leitura fundamentalista indica que a queda das ações foi mais forte do que a revisão necessária dos modelos. Isso cria uma espécie de “desconto antecipado” que pode se revelar exagerado à medida que os números confirmem uma inflação de custos controlável. Para quem acompanha o setor imobiliário, a mensagem é clara: a pressão existe, mas o mercado pode ter ido longe demais na precificação do problema. E, quando isso acontece, os papéis mais bem operados tendem a se recuperar primeiro.

As ações favoritas do banco

Entre as companhias cobertas, a nova top pick do Itaú BBA é a Direcional. O banco destaca que a empresa é a menos sensível a choques do INCC, o índice que mede a inflação dos custos da construção. Na prática, isso significa maior previsibilidade operacional em um momento em que os preços de materiais e serviços podem oscilar de forma rápida. Com múltiplo estimado em 7x P/E para 2026, a ação aparece como uma combinação de defesa relativa e potencial de valorização, caso o mercado volte a olhar com mais confiança para o segmento de baixa renda.

A Tenda também foi mencionada com atenção. A companhia sentiu de forma intensa o ciclo de alta de preços entre 2020 e 2022, mas o banco avalia que ela está hoje melhor posicionada para enfrentar o novo cenário. O múltiplo estimado é de 6x P/E para 2026, o que sugere uma precificação mais comprimida e, portanto, maior espaço para reavaliação se a operação avançar na direção correta. Já a Cury, apesar de estar mais exposta a oscilações de custo, é vista como um caso em que o valuation está “atrativo demais para ignorar”, nas palavras dos analistas. O múltiplo de 7x P/E para este ano reforça a leitura de que a empresa combina qualidade de execução com preço ainda razoável.

Para quem olha o setor de forma estratégica, o recado é que nem toda incorporadora de baixa renda responde da mesma maneira ao choque de custos. A dispersão entre os nomes importa muito. Empresas com melhor execução, repasse mais eficiente e disciplina de capital tendem a capturar mais rapidamente qualquer melhoria de percepção. É justamente por isso que o banco vê oportunidades atraentes entre companhias com histórico comprovado, e não apenas entre as mais descontadas. Se quiser acompanhar mais análises de mercado, vale consultar também o material de referência do INCC e os indicadores do IBGE, que ajudam a contextualizar o comportamento de custos e inflação.

O que observar daqui para frente

O ponto de atenção, a partir de agora, é acompanhar se a inflação de custos vai realmente ficar dentro da faixa estimada pelo banco. Caso o petróleo permaneça pressionado por mais tempo e o repasse aos insumos da construção avance além do previsto, a margem de segurança das companhias pode diminuir. Por outro lado, se a alta dos materiais desacelerar e as empresas conseguirem atualizar preços com eficiência, o mercado terá de rever parte do pessimismo atual. Esse é o tipo de cenário em que a diferença entre o que foi precificado e o que de fato acontece pode gerar movimentos fortes de valorização.

Outro fator importante é a qualidade da execução operacional. Em setores sensíveis a custo, o “como” importa quase tanto quanto o “quanto”. Empresas que vendem bem, compram melhor e executam obras com eficiência costumam sair mais fortes mesmo em ciclos difíceis. É por isso que o Itaú BBA mantém a leitura de que a queda recente não elimina a atratividade do segmento. Pelo contrário: ela pode ter aumentado a margem de erro para novos investidores entrarem em nomes com fundamentos mais robustos. Em um ambiente ainda incerto, a seletividade deixa de ser detalhe e vira parte central da estratégia.

Na prática, o mercado continua seletivo

O movimento recente reforça uma lógica conhecida por quem acompanha bolsa: quando o medo cresce, o mercado costuma jogar tudo para baixo ao mesmo tempo. Mas, passado o susto inicial, a diferenciação volta à cena e separa empresas frágeis de empresas resilientes. No caso das incorporadoras de baixa renda, o Itaú BBA acredita que essa segunda fase já começou, com companhias como Direcional, Tenda e Cury chamando atenção por motivos diferentes, mas todos ligados à execução e ao preço.

Em vez de enxergar o setor apenas pela lente da pressão inflacionária, vale observar a equação completa: custos, repasse, margem, valuation e capacidade de execução. É nessa combinação que surgem as melhores oportunidades. E, como costuma acontecer no mercado imobiliário, quem enxerga antes a assimetria tende a capturar o prêmio depois. O recado do banco é direto: há risco, sim, mas também há espaço para surpresa positiva. E é exatamente aí que a tese ganha força.

O jogo não acabou: onde mora a oportunidade

Quando o mercado exagera no pessimismo, a melhor resposta nem sempre é correr para a saída. Em muitos casos, o movimento mais inteligente é separar ruído de tendência, olhar o valuation com frieza e identificar quem realmente tem capacidade de atravessar o ciclo. O Itaú BBA faz exatamente esse exercício ao afirmar que as ações das incorporadoras de baixa renda ficaram baratas depois da correção recente. Não porque o risco desapareceu, mas porque o preço parece ter ficado abaixo do potencial dos negócios.

Para o investidor, a leitura prática é simples: o setor segue sensível ao custo, mas nem todas as companhias estão no mesmo barco. As empresas com execução comprovada podem transformar pressão em oportunidade, especialmente se a inflação de custos vier menos agressiva do que o mercado teme. Nesse cenário, o desconto atual pode virar combustível para uma reprecificação futura. E é essa possibilidade, mais do que o susto do momento, que mantém o setor no radar de quem busca assimetria com visão de médio prazo.