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Acontece no mercado imobiliário

Escritórios em SP crescem e locações batem recorde

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

17 de abril de 2026

tempo de leitura:

14 min

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O mercado de escritórios em São Paulo abriu 2026 com um sinal claro de mudança: as empresas estão voltando a buscar áreas maiores, contratos mais robustos e imóveis de alto padrão. No primeiro trimestre, a média de áreas locadas chegou a 1.923 m², o maior patamar desde o fim de 2022, refletindo um ambiente de retomada mais forte do presencial, expansão de equipes e reorganização dos espaços corporativos. Entre as maiores operações do período, chamaram atenção os contratos da Uber e da Wise, que reforçam a força da demanda por lajes amplas e eficientes em regiões consolidadas da capital. Ao mesmo tempo, a vacância segue em queda, os preços pedidos continuam avançando nos endereços mais disputados e o estoque em construção ainda indica espaço para novos movimentos relevantes no ano. A seguir, você vai entender o que está por trás dessa virada, quais regiões lideram a corrida e como isso impacta o mercado imobiliário corporativo em São Paulo:

Locações maiores mostram a nova fase dos escritórios em SP

O mercado de escritórios em São Paulo começou 2026 com um recado bastante claro: as empresas voltaram a mirar espaços maiores, mais eficientes e mais alinhados ao trabalho presencial. No primeiro trimestre, a média das áreas locadas em edifícios de alto padrão chegou a 1.923 m², o maior nível desde o quarto trimestre de 2022, segundo a Cushman & Wakefield. O dado chama atenção porque marca uma aceleração relevante: alta de 52% em relação ao trimestre anterior e de 11% na comparação anual. Em outras palavras, não se trata apenas de uma recuperação pontual, mas de uma mudança consistente na forma como as companhias estão pensando seus ambientes corporativos.

Entre os destaques do período estão operações de grande porte, como a da Uber, no JK Square, com 15,9 mil m², e a da Wise, no River South, na Marginal Pinheiros, com 14,1 mil m². Esses contratos ajudam a explicar por que a demanda por lajes amplas voltou a ganhar fôlego. A decisão de reunir times em um só endereço, reduzir ilhas operacionais e melhorar a experiência do colaborador também pesa na conta. Para empresas em expansão, um espaço maior não é só uma questão de imagem: pode representar ganhos reais de produtividade, retenção de talentos e eficiência no uso da planta corporativa. E é justamente esse movimento que vem redesenhando a dinâmica do setor.

Locações maiores no mercado corporativo

O novo ciclo do mercado corporativo em São Paulo tem um traço bem definido: menos dispersão e mais concentração em ativos de qualidade superior. Depois de anos em que a prioridade de muitas empresas era reduzir custos, o foco agora parece ter migrado para a adequação estratégica do espaço. Isso inclui escritórios mais confortáveis, com melhor infraestrutura e capacidade de acomodar times em regime híbrido ou presencial mais intenso. O resultado aparece no tamanho médio das locações, que subiu de forma expressiva no trimestre, apontando para negociações menos fragmentadas e mais robustas. Para o mercado, esse comportamento é especialmente importante porque tende a beneficiar empreendimentos classe A e A+, que costumam entregar melhor localização, padrão construtivo e serviços agregados.

Esse movimento também conversa com transformações internas das empresas. Muitas companhias passaram a rever contratos de várias unidades menores e buscaram unificar operações em um único endereço. Em outros casos, o aumento de headcount exigiu uma planta maior desde o início. Há ainda um fator comportamental: com mais dias no escritório, cresce a necessidade de ambientes que realmente justifiquem o deslocamento do time. A lógica não é apenas ocupar metros quadrados, mas ocupar bem. É por isso que a busca por eficiência operacional, flexibilidade e experiência do usuário se tornou um componente central da negociação. No fim das contas, o escritório deixou de ser apenas uma despesa e passou a ser uma ferramenta de gestão.

Busca por eficiência e presença

A consultoria destaca que o trimestre foi sustentado por movimentos de expansão, relocações estratégicas e maior eficiência operacional. Esse diagnóstico ajuda a entender por que o retorno ao presencial tem impacto direto na absorção de áreas maiores. Quando a empresa quer incentivar a presença física, ela precisa oferecer um ambiente mais funcional, com melhor distribuição, áreas de colaboração e infraestrutura compatível com novas rotinas. Além disso, em um cenário de disputa por talentos, o escritório também cumpre papel simbólico: ele comunica cultura, maturidade e capacidade de execução. Em um mercado cada vez mais seletivo, o imóvel certo pode ser um diferencial competitivo tão relevante quanto tecnologia ou marca empregadora.

Regiões mais disputadas em SP

As maiores transações do trimestre ajudam a mapear onde está a maior disputa por espaços corporativos na capital. O entorno da Avenida Juscelino Kubitschek respondeu por 24% dos novos contratos, com 21.451 m² locados, liderando a absorção entre as principais regiões. Na sequência vieram a Marginal Pinheiros, com 15.968 m², e a Avenida Chucri Zaidan, com 15.605 m². Esse ranking mostra que o mercado segue valorizando eixos com boa mobilidade, oferta de serviços, conexão com outras áreas empresariais e um estoque capaz de atender empresas exigentes. Não é coincidência que esses endereços concentrem grande parte da procura por lajes maiores.

Outro ponto importante é a permanência da Faria Lima como referência de valor. A região continua sendo a mais cara da cidade, com preço médio de locação em R$ 290 por metro quadrado, muito acima da média municipal. Esse patamar evidencia a força dos endereços premium e sua capacidade de manter liquidez mesmo em ciclos de maior seletividade. Ao mesmo tempo, áreas como Juscelino, Pinheiros e Paulista vêm ganhando espaço por combinarem boa percepção de valor, oferta de produtos corporativos competitivos e conexão com empresas de diferentes portes. Em um mercado que busca eficiência, localização e imagem, essas regiões funcionam como ativos estratégicos para ocupantes e investidores.

Para o ecossistema imobiliário, isso gera um efeito relevante: projetos bem localizados e com especificações técnicas adequadas tendem a atrair mais interesse, encurtar o tempo de vacância e sustentar renegociações em patamares saudáveis. Já empreendimentos menos competitivos podem sentir mais pressão para conceder benefícios comerciais ou ajustar expectativas. Na prática, a disputa está menos ligada apenas ao preço e mais ao conjunto da entrega. Em um cenário assim, entender a geografia da demanda se torna essencial para tomar decisões com mais precisão e visão de longo prazo.

Preços, vacância e estoque

O trimestre também trouxe indicadores que reforçam a melhora gradual do mercado. A absorção líquida dos edifícios classe A e A+ foi positiva em 62,5 mil m², enquanto o preço médio pedido na cidade ficou em R$ 138 por metro quadrado. Apesar de esse valor representar a média geral, as principais regiões corporativas seguem em trajetória de alta, puxadas por ativos mais desejados e pela demanda consistente por qualidade. A vacância geral caiu para 11%, mantendo a tendência de recuo iniciada em 2023. Isso é importante porque mostra que a ocupação vem avançando em um ritmo suficiente para absorver parte da oferta disponível, fortalecendo o equilíbrio entre oferta e demanda.

Outro indicador que ajuda a desenhar o cenário é o novo estoque. No primeiro trimestre, São Paulo recebeu 17,7 mil m² de novos empreendimentos corporativos, um volume relativamente contido diante da demanda observada. Hoje, a cidade ainda conta com 350 mil m² em construção, o que sugere uma oferta futura relevante, mas não necessariamente excessiva. Em mercados como esse, o equilíbrio depende da qualidade dos projetos e da capacidade de atração de ocupantes antes da entrega. Quando o pipeline é bem localizado e alinhado ao perfil das empresas, ele pode acelerar a dinâmica de absorção e sustentar preços. Quando não é, tende a enfrentar um processo mais lento de colocação.

Um dado adicional reforça a mudança na configuração dos escritórios: segundo a CBRE, a área média buscada por funcionário passou de 7 m² para entre 10 m² e 12 m² no pós-pandemia. Isso significa mais espaço por colaborador, menos adensamento e maior valorização de ambientes confortáveis. A consequência direta é a ampliação do apetite por lajes maiores, muitas delas acima de 10 mil m². Para quem acompanha o setor, esse movimento é um sinal importante de maturidade do ciclo atual. Ele mostra que a demanda não está apenas voltando, mas voltando com novos critérios, mais alinhados à experiência, à produtividade e à estratégia corporativa. Saiba mais sobre a evolução desse comportamento em análises sobre o escritório pós-pandemia.

O que esperar para 2026

Se o primeiro trimestre servir como bússola, 2026 deve ser um ano de disputas mais qualificadas no mercado de escritórios em São Paulo. A combinação de vacância em queda, demanda ativa e busca por imóveis premium cria uma base favorável para novos contratos de maior porte. Ao mesmo tempo, a oferta de estoque em construção mantém o mercado em alerta, porque novos lançamentos podem alterar a relação entre disponibilidade e preço ao longo dos próximos meses. Para ocupantes, isso significa que a janela para negociar bons endereços continua aberta, mas os ativos realmente disputados podem exigir decisões mais rápidas e estratégias mais bem desenhadas.

Para investidores e desenvolvedores, o cenário é igualmente promissor, mas seletivo. Em vez de apostar apenas em volume, o mercado parece premiar localização, especificação e capacidade de atender uma demanda corporativa mais exigente. Empreendimentos próximos de eixos consolidados, com boa conectividade e padrão construtivo elevado, tendem a capturar a preferência das empresas que estão redefinindo sua ocupação. Isso vale tanto para expansões quanto para relocações e consolidações de operação. Em resumo, o mercado não está apenas crescendo: ele está amadurecendo.

O mercado ganha nova dinâmica

O começo de ano mostrou que o setor corporativo de São Paulo entrou em uma fase em que o tamanho voltou a importar, mas com uma lógica mais estratégica. As empresas querem espaço para crescer, mas também querem ambiente, eficiência e capacidade de atrair pessoas de volta ao presencial. É nessa combinação que as melhores oportunidades aparecem. O dado da média locada maior, a queda da vacância e a força das regiões mais valorizadas indicam que o mercado tem sustentação para seguir ativo em 2026, ainda que com seletividade crescente.

Para quem observa o mercado de escritórios em São Paulo com olhar de longo prazo, a mensagem é clara: os melhores endereços seguem ganhando relevância, e a qualidade do ativo está cada vez mais no centro da decisão. Como em todo ciclo bem resolvido, quem entende os sinais antes da maioria consegue se posicionar melhor. E, neste caso, os sinais estão bem nítidos: mais demanda por áreas amplas, mais busca por eficiência e mais valor para espaços que realmente entregam experiência. É o tipo de movimento que transforma o mapa corporativo da cidade e abre espaço para novas oportunidades de negócio.