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Acontece no mercado imobiliário

Mercado imobiliário: Tendência de coragem para revisão de aluguel.

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

15 de dezembro de 2025

tempo de leitura:

9 min

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O mercado de galpões logísticos no Brasil está vivenciando uma transformação que desafia a antiga resistência à revisão dos aluguéis. Propriedades antes mantidas por longos períodos em contratos defasados estão sendo reavaliadas, impulsionadas pela demanda crescente, especialmente no e-commerce. De acordo com a consultoria CBRE, ajustes nos contratos podem chegar a 50%, refletindo a pressão econômica e a falta de opções estratégicas em localizações desejadas, como São Paulo.
 
Com a Selic elevada em 15%, o custo de construção tem influenciado ainda mais a necessidade de revisões, servindo como um motor para uma nova dinâmica entre proprietários e inquilinos. Os fundos imobiliários também desempenham um papel importante nessa mudança, estimulando práticas mais flexíveis e colaborativas. Essa nova realidade promete não só ajustar valores, mas também transformar a forma como o setor logístico opera no país. Prepare-se para descobrir como essa evolução impacta o mercado e as oportunidades que surgem nesse cenário:

O mercado de galpões está perdendo o medo de revisar o aluguel

O mercado de galpões logísticos no Brasil está passando por uma transformação significativa, onde proprietários e inquilinos estão se ajustando a uma nova realidade. Essa mudança vem acompanhada de um contexto econômico que exige uma reavaliação dos contratos de aluguel, marcando o fim de um tabu que antes inibia a revisão dos preços. Neste artigo, exploraremos como o setor imobiliário, especialmente o de galpões, está se adaptando e as implicações desse fenômeno.
 

A quebra do tabu das revisões de aluguel

Os últimos meses apontam para um cenário em que os proprietários de galpões logísticos estão cada vez mais dispostos a revisar os contratos de aluguel. Esse movimento é impulsionado pela alta demanda, especialmente no setor de e-commerce, que requer espaços adequados e em boas condições para seus centros de distribuição (CDs). A consultoria CBRE revelou que as revisões de contrato têm resultado em ajustes substanciais nos preços, variando entre 20% e 30%, e em alguns casos extremos, até 50%. Este fenômeno revela que a necessidade de espaço logístico está superando o medo histórico dos proprietários em renegociar com grandes inquilinos, como Amazon e Mercado Livre.
 
Um aspecto relevante para essa mudança é o histórico recente de pouco teste do mercado de galpões antes do aumento da demanda durante a pandemia. Muitos contratos eram de longo prazo e mantinham os valores de aluguel defasados. A flexibilização nas negociações permite que proprietários e inquilinos cheguem a um acordo mais favorável, levando em conta as condições reais do mercado, que estão em constante evolução.
 

Fatores que impulsionam a revisão dos aluguéis

Com a Selic em 15%, o custo de capital para construir novos galpões é elevado. Isso resulta em uma pressão adicional sobre os proprietários para ajustar os preços de aluguel, tornando a viabilidade de novos projetos bastante difícil. Fernando Terra, vice-presidente da área de logística e industrial da CBRE, destaca que esses valores defasados não estavam viabilizando novos empreendimentos, forçando o mercado a se adaptar rapidamente.
 
Além disso, a percepção dos próprios inquilinos sobre os custos de mudança também desempenha um papel vital. Ao avaliar a possibilidade de sair de um galpão e se mudar para outro, muitos inquilinos percebem que os custos envolvidos podem ser altos, tanto financeiros quanto operacionais. Isso, aliado ao fato de que o custo de ocupação representa uma fração menor em relação ao total de custos de operação das empresas, aumenta a disposição para renegociações.
 

O papel dos fundos imobiliários

Os fundos imobiliários (FIIs) têm desempenhado um papel crucial nesse processo de revisão de aluguéis. Nos últimos cinco anos, eles ganharam um espaço significativo no mercado de galpões, influenciando as práticas de locação e renegociação. Os fundos, que muitas vezes possuem diversos ativos, estão mais propensos a encorajar revisões contratuais para maximizar a rentabilidade de seus investimentos. Essa abordagem tem incentivado um ambiente mais colaborativo entre proprietários e inquilinos.
 

Novos padrões de locação e suas implicações

As novas locações estão sendo firmadas em faixas que variam de R$ 28 a R$ 40 por metro quadrado, dependendo da localização. Com a alta demanda por galpões em áreas estratégicas, como São Paulo, a falta de opções disponíveis também dá poder aos proprietários na hora de determinar os preços. A dinâmica do mercado atual, portanto, está moldando um novo padrão de locação que reflete a realidade econômica e logística do país.
 
Os proprietários, que anteriormente temiam perder inquilinos importantes, agora percebem que a demanda é tão robusta que a revisão de preços é não apenas aceitável, mas necessária. A cada revisão bem-sucedida, o mercado se fortalece, e os valores são ajustados para refletir as condições atuais, garantindo assim um equilíbrio saudável entre oferta e demanda.
 

A segurança dos contratos e o futuro do mercado

A lei brasileira permite que contratos com pelo menos três anos sejam revisados para se adequar aos valores de mercado. Portanto, à medida que os proprietários se tornam mais confortáveis com o processo de revisão, podemos esperar uma normalização desses ajustes. A segurança trazida por contratos bem elaborados e flexíveis criará um ambiente de negócios mais robusto e sustentável para ambos os lados.
 

Desafios e oportunidades no horizonte

Apesar do otimismo no mercado de galpões, desafios ainda persistem. Enquanto as revisões de aluguel oferecem oportunidades de ajuste, incertezas econômicas, flutuações nas taxas de juros e mudanças nos padrões de consumo podem impactar a dinâmica do setor. Proprietários e inquilinos devem estar preparados não apenas para as revisões atuais, mas também para se adaptarem a um cenário em constante mudança.
 
A habilidade de se adaptar e negociar vai determinar o sucesso neste novo ciclo de revisões no mercado. Assim, tanto inquilinos quanto proprietários devem estar abertos ao diálogo, buscando soluções que beneficiem ambas as partes. O futuro do mercado de galpões poderá, portanto, depender fortemente da disposição de todos os envolvidos em promover uma comunicação aberta e assertiva.
 

O caminho adiante

É claro que o mercado de galpões está perdendo o medo de revisar o aluguel, e isso é um sinal positivo para o setor logístico brasileiro. Essa nova atitude pode abrir portas para inovações e estratégias mais eficazes na gestão de imóveis logísticos. À medida que o setor continua a crescer e evoluir, os principais players devem se unir para moldar um futuro onde a flexibilidade e a negociação são fundamentais.
 
Nos próximos anos, poderemos testemunhar um amadurecimento do mercado de galpões, onde as revisões de aluguel serão vistas como parte normal do ciclo de negócios. Portanto, proprietários e inquilinos devem continuar a explorar juntos as possibilidades que surgem. Afinal, um mercado mais dinâmico e colaborativo é benéfico para todos os atores envolvidos.