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Acontece no mercado imobiliário

Imóveis comerciais vazios: Oportunidades para farmacêuticas nos EUA

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

30 de outubro de 2025

tempo de leitura:

9 min

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O mercado imobiliário nos Estados Unidos, especialmente no segmento farmacêutico, vive um paradoxo curioso: enquanto países como o Brasil enfrentam uma escassez crítica de imóveis destinados a pesquisas e desenvolvimento na indústria de life sciences, os EUA lidam com um excedente considerável. Entre 2020 e 2021, houve uma explosão de investimentos que resultou na construção de muitos edifícios sofisticados, mas a demanda por esses espaços diminuiu drasticamente, levando a uma taxa de vacância alarmante de 48% entre as novas construções.
 
Com cerca de 6 milhões de metros quadrados vagos, os imóveis projetados para laboratórios agora enfrentam o desafio de um mercado saturado. Apesar dessa crise de oferta, algumas regiões, como Boston e San Diego, continuam a atrair investimentos devido à sua robustez acadêmica e empresarial. Este artigo explora as dinâmicas contrastantes do mercado imobiliário farmacêutico nos EUA e no Brasil, além das oportunidades que surgem nesse ambiente em transformação: descubra como investidores e empresas podem navegar por esses cenários desafiadores!

Nos EUA, os imóveis para farmacêuticas estão ociosos

O mercado imobiliário nos Estados Unidos, especialmente no segmento farmacêutico, apresenta um cenário intrigante e paradoxal. Enquanto muitos países, incluindo o Brasil, enfrentam uma escassez de imóveis para o setor de life sciences, nos EUA a realidade é substancialmente diferente. Com um excedente significativo de espaços destinados a farmacêuticas e biotecnologia, muitas propriedades recém-construídas estão ociosas, resultando em uma taxa de vacância alarmante.

A onda de investimentos e a queda na demanda

Entre 2020 e 2021, as empresas farmacêuticas e de biotecnologia experimentaram um verdadeiro boom de investimentos, o que levou à construção de um número impressionante de edifícios corporativos. Contudo, essa expansão ocorreu em um momento em que o cenário do mercado começou a mudar. Segundo a JLL, a taxa média de vacância dos imóveis entregues entre 2022 e 2024 chegou a 48%, o maior índice já registrado na consultoria. Para se ter uma ideia, estima-se que cerca de 6 milhões de metros quadrados do segmento estejam vagos nos EUA, um número três vezes maior do que há quatro anos.

Essa situação é crítica, pois esses imóveis, projetados com características sofisticadas para acomodar laboratórios e centros de P&D, agora enfrentam o desafio de um mercado saturado. Mark Bruso, diretor de pesquisa da JLL, observa que a conclusão dessas construções coincidiu com uma redução na demanda por espaços de laboratório pelas empresas de biotecnologia. “Esses edifícios tiveram um timing infeliz”, afirma Bruso. Assim, enquanto o Brasil luta para atender à sua demanda reprimida, os EUA vêem um excesso que não consegue ser absorvido.

Perspectivas para o futuro dos imóveis ociosos

Uma análise detalhada sugere que menos de um terço do espaço vazio – equivalente a cerca de 1,7 milhão de m² – deve ser absorvido pelo mercado até 2030. A visão pessimista sugere que muitos desses edifícios poderão ser adaptados para outros usos ou vendidos a preços bem abaixo de suas avaliações originais. No entanto, a transformação desses ativos pode não ser uma tarefa simples. As adaptações podem incluir conversões para escritórios comuns, data centers ou até mesmo instalações híbridas, dependendo da localização e das condições do mercado.

As mudanças no mercado de biotecnologia, impulsionadas pela crescente influência da inteligência artificial, também estão moldando a demanda por espaço. Hoje, as empresas que combinam biotecnologia, automação e ciência de dados têm exigências diferentes em relação aos imóveis. O que antes era necessário em termos de espaço de laboratório agora é substituído por modelos mais eficientes que requerem menos área por funcionário. Bruso destaca que “essas companhias alugam menos espaço por funcionário e precisam de menos espaço de laboratório em seus portfólios.” Essa nova configuração poderá impactar ainda mais a vacância nesse segmento.

Os grandes polos farmacêuticos nos EUA

Apesar da vacância elevada, algumas regiões continuam a se destacar como polos de inovação e investimentos na área farmacêutica. Cidades como Boston, Bay Area e San Diego permanecem fortemente relacionadas a um ecossistema vibrante que combina talento, capital e universidades de ponta. Essas localidades não apenas resistem melhor à crise de oferta, mas também tendem a se recuperar mais rápido do que mercados secundários.

A presença de instituições renomadas e um ambiente favorável para startups têm garantido que, mesmo em tempos de turbulência, esses centros atraem novos investidores e oportunidades. Enquanto isso, investidores em busca de notícias do mercado devem acompanhar as dinâmicas regionais e as transformações nas demandas operacionais.

Oportunidades para investidores

Mesmo diante do cenário adverso, a JLL aponta que existem oportunidades para aqueles investidores dispostos a ter uma visão de longo prazo. Adquirir imóveis que hoje estão ociosos pode resultar em retornos significativos no futuro. “Haverá investidores que comprarão esses ativos hoje e terão retornos muito grandes no longo prazo ao pegarem o mercado em um ciclo ascendente com ativos que conseguiram comprar por preços mais baixos”, explica Bruso. Essa estratégia pode parecer arriscada, mas para os que compreendem o ciclo do mercado imobiliário, pode ser uma jogada inteligente.

Comparação com o Brasil

Se olharmos para o Brasil, a situação é diametralmente oposta. O país enfrenta uma escassez de imóveis voltados para a pesquisa e indústria farmacêutica. Essa limitação não apenas eleva os preços, mas também restringe a expansão de empresas do setor. Com a alta demanda e a baixa oferta, as empresas brasileiras precisam se adaptar rapidamente para garantir sua sobrevivência e crescimento, um desafio que contrasta com o excesso de oferta nos EUA. Enquanto o Brasil procura formas de aumentar sua oferta, os EUA lidam com o dilema de um excesso que não dá sinais de diminuição.

O sinal de alerta para o setor

Portanto, enquanto os investidores e as empresas nos EUA enfrentam um complexo cenário de imóveis ociosos para farmacêuticas, o Brasil parece estar em um ponto onde a demanda ultrapassa a oferta. O que se desenha para o futuro? A lente do tempo nos mostrará se essa discrepância se ajustará naturalmente ou se cada mercado encontrará seu caminho particular. Ter uma visão clara sobre o que está acontecendo em ambos os lados pode ser essencial para que investidores e empresas possam planejar suas futuras estratégias.

Um cenário em transformação!

Em resumo, a situação dos imóveis ociosos para farmacêuticas nos EUA ilumina uma complexidade do mercado que vai além da simples oferta e demanda. Enquanto a tendência é de adaptação e transformação, a realidade do Brasil demonstra um cenário de potencial crescimento. Entender esses ciclos e as diferenças entre os mercados pode proporcionar insights valiosos para investidores e empresas em ambos os lados. O futuro ainda guarda muitas surpresas, mas uma coisa é certa: os mercados são dinâmicos e sempre estão prontos para se reinventar.