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Acontece no mercado imobiliário

Projeção de crescimento do mercado imobiliário sofre ajuste pela CBIC

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

29 de outubro de 2025

tempo de leitura:

9 min

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A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revisou suas expectativas para o PIB do setor, reduzindo a projeção de crescimento de 2,3% para apenas 1,3% em 2025. Este ajuste reflete um cenário econômico desafiador, principalmente influenciado pela alta da taxa Selic, que subiu de 10,5% para 15%, criando um ambiente hostil ao crescimento da construção civil. Nos dois primeiros trimestres de 2025, o PIB do setor já apresentou retrações de 0,6% e 0,2%, destacando a preocupação dos empresários com os elevados juros e sua influência na confiança do mercado. Apesar das adversidades, como a escassez de crédito e mão de obra qualificada, o setor ainda mantém 67% de sua capacidade produtiva e gerou 194,5 mil novas vagas. O otimismo é moderado, com perspectivas de recuperação a partir de 2026, impulsionadas por inovações e pacotes de estímulo. O que virá a seguir? Descubra as nuances deste cenário e as possíveis soluções para o futuro da construção civil:

CBIC corta projeção de PIB da construção: Um novo cenário para o setor

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) anunciou recentemente uma significativa alteração em suas expectativas, reduzindo a projeção do PIB da construção de 2,3% para apenas 1,3% para o ano de 2025. Essa decisão, marcada por um contexto econômico desafiador, revela como a taxa Selic tem se tornado um verdadeiro obstáculo para o crescimento do setor de construção no Brasil. Nos últimos quatro trimestres, empresários têm destacado as taxas elevadas de juros como a principal preocupação que afeta o desempenho da construção civil, especialmente considerando a Selic que saltou de 10,5% para 15%.

Os primeiros reflexos desse aumento nas taxas já são perceptíveis pela queda do PIB da construção nos dois primeiros trimestres do ano. A atividade econômica do setor enfrentou um recuo de 0,6% e depois 0,2%, afirmando que o movimento de alta dos juros está impactando diretamente a confiança empresarial. Com um índice de confiança que despencou para 48 pontos — o menor desde 2020 —, os efeitos negativos da elevação da taxa de juros começaram a ser evidentes, especialmente com a base de financiamento imobiliário se mostrando cada vez mais frágil.

Além disso, a captação líquida na poupança acumulou uma perda de R$ 60 bilhões entre janeiro e setembro de 2025, marcando o quinto ano consecutivo de desvalorização da principal fonte de recursos para o setor. O número de unidades financiadas também caiu drasticamente, com uma redução de 20% em relação ao ano anterior e um recuo acentuado de 53% no financiamento para a construção. Esse cenário desafiador aponta que a construção civil precisa urgentemente de soluções inovadoras e sustentáveis para manter-se viva e competitiva.

A crise do crédito imobiliário e seus desafios

Com a crescente dificuldade de acesso ao crédito, o cenário da construção civil no Brasil se complica ainda mais. O presidente da CBIC, Renato Correia, destaca que a demora de seis meses a um ano para que as mudanças nas taxas de juros reflitam na construção civil aprofundou a desaceleração do setor. A atual pressão econômica, gerada por taxas elevadas, desincentiva novos investimentos e provoca uma onda de incertezas entre investidores e incorporadoras.

Nesse panorama, mesmo que o governo tenha anunciado um pacote de estímulos ao crédito imobiliário, a percepção entre os empresários do setor é de que a recuperação será lenta. A medida prevista para injetar R$ 37 bilhões no crédito imobiliário parece não ser suficiente para reverter o quadro alarmante. É preciso que o governo também considere alternativas que estimulem a demanda e a confiança, promovendo um ambiente propício para o crescimento do mercado imobiliário.

O impacto no mercado de trabalho da construção civil

Apesar dos desafios, o mercado de trabalho na construção civil ainda apresenta dados positivos. O setor mantém 67% de sua capacidade produtiva utilizada, e entre janeiro e agosto de 2025, foram abertas 194,5 mil novas vagas com carteira assinada. Embora tenha havido uma redução de 9% em relação ao ano anterior, esse número é significativo para um setor que enfrenta tantas adversidades. Mesmo em momentos desafiadores, a construção civil continua sendo uma fonte essencial de empregos e desenvolvimento econômico.

Contudo, as empresas têm enfrentado uma escassez de mão de obra qualificada, o que agrava ainda mais essa complexa equação. A taxa de desemprego em 5,6%, a mais baixa desde 2012, resulta em uma pressão crescente sobre os salários e na dificuldade em encontrar profissionais com as habilidades necessárias. Este fator potencializa os custos operacionais das empresas, especialmente em um momento onde o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou uma alta de 6,78% nos últimos 12 meses.

Perspectivas futuras: o que esperar da construção civil?

Embora o cenário atual seja preocupante, a CBIC acredita que há luz no fim do túnel. Projeções indicam que a atividade da construção civil deve voltar a crescer a partir de 2026, assim que a taxa Selic começar a cair. Isso, aliado aos pacotes de incentivo ao crédito imobiliário e reformas residenciais, poderá trazer um novo fôlego à indústria.

Os programas de auxílio, como o Reforma Casa Brasil, prometem destinar mais R$ 40 bilhões para pequenas reformas e ampliações residenciais, o que pode estimular o setor em níveis locais. Com esse suporte, espera-se que as construtoras voltem a realizar investimentos e projetos que beneficiem as comunidades, criando um ciclo positivo de empregabilidade e desenvolvimento econômico.

Inovações e tecnologias na construção civil

Em meio a esse turbilhão econômico, a inovação também se mostra como uma aliada poderosa para o setor imobiliário. Tecnologias de construção sustentável e métodos modernos de gerenciamento de projetos podem ajudar as empresas a reduzir custos e melhorar a eficiência. A adoção de soluções digitais e técnicas inovadoras pode não apenas otimizar a produção, mas também atrair investimentos em um mercado que busca adaptação às novas demandas sociais.

Por exemplo, o uso de materiais alternativos e ecoeficientes, bem como a implementação de inteligência artificial no gerenciamento de obras, representa um avanço significativo. Essas práticas não apenas atendem às exigências governamentais e do consumidor moderno, mas também contribuem para um futuro mais sustentável. Investir em tecnologia é, portanto, uma estratégia essencial para que as empresas da construção civil se destaquem, mesmo em tempos desafiadores.

Construindo um novo futuro

No final das contas, o corte na projeção de PIB da construção pela CBIC sinaliza as dificuldades que o setor enfrenta, mas também abre portas para novas oportunidades. À medida que o cenário econômico evolui, a resiliência e a inovação serão chaves para a superação dos desafios atuais. As construtoras que se adaptarem e adotarem novas estratégias estarão à frente, preparadas para um futuro promissor.

É essencial que todos os envolvidos no setor, desde trabalhadores até empresários e órgãos governamentais, unam forças para trilhar um caminho de recuperação e crescimento. Ao transformar desafios em oportunidades, a construção civil pode se estabelecer não apenas como uma força econômica, mas como um pilar fundamental do desenvolvimento social no Brasil.