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Acontece no mercado imobiliário

Chaim planeja inovar no Arpoador: Conflito de ideias na Prefeitura

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

27 de outubro de 2025

tempo de leitura:

9 min

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Chaim quer abrir uma Concept no Arpoador. A Prefeitura tem outras ideias
A cidade do Rio de Janeiro, conhecida por suas belas praias e rica vida cultural, está prestes a passar por um novo capítulo no setor educacional. No coração do Arpoador, Chaim Zaher, empresário à frente do Grupo SEB, planeja abrir uma nova unidade da Concept, uma instituição educacional de prestígio. Com mensalidades a partir de R$ 13 mil, a proposta visa atender a demanda da elite carioca. No entanto, a Prefeitura do Rio, liderada pelo Prefeito Eduardo Paes, tem outros planos para o local atualmente ocupado pelo Colégio São Paulo: transformar a área em um hotel para impulsionar o turismo na cidade.
 
Essa disputa acirrou-se com um decreto que limita novas licenças apenas a empreendimentos hoteleiros. Enquanto Chaim considera alternativas para estabelecer sua escola, a gestão municipal busca expandir a oferta hoteleira, importante em períodos de alta demanda. O embate entre educação e turismo levanta questões sobre o futuro do Arpoador, refletindo os desafios de uma cidade em evolução. O que acontecerá nesse cenário dinâmico? Confira todas as nuances desta história fascinante:

O cenário do Arpoador e os planos de Chaim

Com sua visão inovadora e comprometimento com a educação de alta qualidade, Chaim deseja transformar o espaço atualmente ocupado pelo Colégio São Paulo em uma Concept, uma instituição que combina excelência acadêmica com infraestrutura moderna. Este projeto visa atender às demandas da classe alta da região, oferecendo mensalidades a partir de R$ 13 mil, o que reafirma a intenção de atrair um público exigente e de alto poder aquisitivo.
 
Entretanto, a Prefeitura, sob a gestão do Prefeito Eduardo Paes, expressou uma preferência clara por transformar esse imóvel em um hotel. Em sua visão, essa transição é fundamental para alavancar o turismo na cidade, especialmente em uma área que já abriga diversos empreendimentos hoteleiros de luxo, como o Fairmont e o Fasano. Conforme as autoridades, há uma escassez de terrenos apropriados para a construção de hotéis na Zona Sul, o que torna a localização do Colégio São Paulo um alvo cobiçado para novos investimentos.
 

A disputa pela área e a legislação vigente

A disputa pela área se intensificou recentemente, quando a Prefeitura publicou um decreto que restringe novas licenças a apenas empreendimentos hoteleiros e turísticos na região. Essa medida, inicialmente válida por seis meses, pode ser prorrogada e demonstra a seriedade com que a administração está tratando o assunto. Este decreto abrange uma ampla faixa entre a Rua Francisco Otaviano e as avenidas Atlântica e Vieira Souto, uma zona vista como vital para o desenvolvimento turístico da cidade.
 
Para Chaim, essa situação representa um dilema significativo. Embora o empresário tenha assinado um contrato de locação de 20 anos com a Congregação das Irmãs Angélicas de São Paulo, o que lhe garante o direito de operar ali, a pressão da Prefeitura e as possíveis ações de desapropriação podem complicar a execução de seus planos. Fontes do mercado indicam que a Prefeitura chegou a considerar a desapropriação do colégio para forçar uma venda do terreno, evidenciando o quanto a área é considerada estratégica.
 

Os desafios de encontrar um novo local

Enquanto Chaim considera suas opções, ele já começou a explorar outros terrenos na Zona Sul, numa tentativa de encontrar um espaço que atenda às exigências da Concept. Até o momento, já realizou visitas a pelo menos oito prédios, mas todos apresentaram desafios, seja em termos de espaço, logística ou localização. A busca por um novo imóvel para abrigar a escola não será tarefa fácil, especialmente levando em conta que a Concept precisa se estabelecer em uma área que favorece seu público-alvo.
 
A Prefeitura ofereceu um terreno na Rua Bartolomeu Mitre, no Leblon, o que poderia parecer uma alternativa viável na superfície. Porém, a proposta foi recusada devido ao intenso tráfego da região e às limitações impostas pela legislação vigente, que inclui restrições de gabarito e tombamento por conta de uma capela presente no local. Esse episódio ilustra a complexidade do ambiente regulatório e a dificuldade de encontrar um espaço que atenda a todas as demandas da educação moderna.
 

O impacto das taxas de ocupação hoteleira

A situação do turismo na cidade do Rio de Janeiro não pode ser ignorada, especialmente quando se considera que os hotéis registram taxas de ocupação de 98% durante os períodos de alta temporada, conforme relatado pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro. Como resultado, redes internacionais estão retornando ao mercado carioca, com projetos de crescimento significativos planejados para os próximos anos. Isso inclui a reabertura do Sofitel Ipanema e o lançamento do The Tryst Ipanema, ambos planejados para 2026, que reforçam a necessidade de mais espaços de hospedagem na região.
 
Por outro lado, a pressa da Prefeitura reflete não apenas uma necessidade imediata de expandir a oferta de hotéis, mas também uma estratégia de longo prazo para captar investimentos que beneficiarão a economia local. A equação entre as necessidades educacionais de Chaim e as ambições turísticas da Prefeitura leva a um impasse que ainda precisa ser resolvido, deixando espaço para incertezas sobre o futuro da Concept no Arpoador.
 

Perspectivas futuras e o que isso significa para a educação e turismo

A batalha entre Chaim e a Prefeitura representa um embate clássico entre educação e turismo, cada um com seus próprios méritos e argumentos. De um lado, temos a necessidade de proporcionar instituições educacionais de alta qualidade que possam preparar as futuras gerações, enquanto do outro, há a urgência de desenvolver e expandir o setor de turismo, crucial para a recuperação econômica pós-pandemia. Ambos os lados têm suas razões legítimas, e a solução ideal provavelmente demandará diálogo e compromisso.
 
A interação contínua entre Chaim e a Prefeitura indica que, mesmo diante de barreiras, existe um desejo mútuo de encontrar uma solução que funcione para ambas as partes. A disposição de Chaim em considerar outras opções, juntamente com o suporte esperado da Prefeitura para encontrar um novo terreno, marca um passo significativo na busca por um resultado satisfatório. Com um ambiente educacional de alta qualidade, aliado a um setor turístico vibrante, a cidade do Rio de Janeiro poderá colher os benefícios de um equilíbrio saudável entre essas duas forças.
 
Transformando desafios em oportunidades

A história de Chaim e sua luta para abrir uma Concept no Arpoador é um testemunho de como a educação e o turismo, mesmo em conflito, podem coexistir em um ambiente urbano dinâmico. O que se desenrola nesse cenário pode muito bem definir o futuro de ambas as áreas, refletindo as aspirações e desafios de uma cidade em constante evolução. Enquanto isso, a vigilância sobre como esses desdobramentos afetarão o mercado imobiliário só tende a aumentar, tornando esta uma situação digna de acompanhamento por todos que se interessam pelo futuro do Rio de Janeiro.