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Acontece no mercado imobiliário

Alerta aos corretores brasileiros: Lição dos EUA

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

30 de setembro de 2025

tempo de leitura:

9 min

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O mercado imobiliário brasileiro vive um momento crucial, e a inspiração para sua evolução pode ser encontrada nas transformações que ocorrem nos Estados Unidos. O artigo explora as mudanças estruturais no setor imobiliário americano, onde a adoção de tecnologias avançadas, como inteligência artificial, tem revolucionado o trabalho dos corretores. Enquanto 85% das imobiliárias nos EUA utilizam essas inovações, apenas 19% fazem o mesmo no Brasil, evidenciando uma oportunidade significativa de crescimento e um alerta sobre a obsolescência profissional.
 
Além disso, as recentes mudanças legais que promovem maior transparência nas negociações oferecem lições valiosas sobre confiança e valorização do cliente. Com dados que mostram a disparidade entre os dois mercados em termos de transações e práticas de representação, torna-se evidente a necessidade urgente de atualização e capacitação dos corretores brasileiros. Prepare-se para descobrir como se destacar em um cenário competitivo e as estratégias necessárias para acelerar essa transformação:

O alerta aos corretores do Brasil que vem dos EUA

O mercado imobiliário brasileiro está em um momento decisivo, e o olhar atento para as mudanças que ocorrem no exterior pode ser a chave para uma transformação positiva. Nos últimos anos, o mercado dos Estados Unidos, reconhecido por sua robustez e inovação, tem experimentado uma revolução que oferece lições valiosas. Essa opinião se debruça sobre as mudanças estruturais no setor imobiliário norte-americano e como elas podem servir de guia para os corretores brasileiros.
 

A Revolução Imobiliária nos EUA

Os corretores norte-americanos estão passando por uma verdadeira metamorfose, impulsionada pela integração de tecnologias avançadas, como a inteligência artificial. Atualmente, 85% das imobiliárias nos Estados Unidos utilizam esses recursos, enquanto no Brasil esse número é alarmantemente baixo, com apenas 19%. Essa discrepância não apenas evidencia um potencial de crescimento, mas também uma ameaça de obsolescência para os profissionais que não se atualizam.
 
Além da tecnologia, outra transformação significativa ocorreu em agosto de 2024, com um processo judicial que desmantelou práticas consideradas anticompetitivas, obrigando vendedores a arcar com as comissões de corretores compradores. O resultado? Uma nova era de transparência e liberdade na negociação. O mercado ajustou-se rapidamente ao novo cenário, revelando que aqueles que demonstraram valor aos clientes conseguiram até aumentar suas comissões. Este fenômeno é um alerta claro para os corretores brasileiros — abraçar a mudança é essencial para a sobrevivência.
 

A Diferença nas Transações Imobiliárias

Ao traçar um comparativo, os números falam por si só. Nos Estados Unidos, 95% das transações são conduzidas por corretores, enquanto no Brasil esse percentual mal chega a 40%. Além disso, a média anual de transações por corretor é de dez nos EUA, em contraste com apenas duas no Brasil. É essencial para os profissionais brasileiros reavaliar suas estratégias de atuação, pois esse desequilíbrio revela não apenas um desafio, mas também uma oportunidade de capacitação e especialização.
 
Corporações como a RE/MAX Brasil têm demonstrado que corretores com certificação internacional alcançam resultados impressionantes: uma média de 25,9 transações anuais. Isso reforça a ideia de que a formação continuada e a adoção de novas práticas são fundamentais para o sucesso no mercado imobiliário. O tempo médio para vender um imóvel nos EUA é de 36 dias, enquanto no Brasil, essa média chega a estar próxima de 480 dias. Essa diferença clama por uma ação imediata na busca pela eficiência e pela melhoria na experiência do cliente.
 

A Exclusividade e a Confiança do Consumidor

Outro aspecto que merece destaque é o modelo de representação no mercado americano. Cada imóvel é normalmente representado por um único corretor, que atua completamente em nome do cliente. Essa abordagem fomenta a confiança, um fator crucial nas relações comerciais. No Brasil, práticas como múltiplas placas em um mesmo imóvel e anúncios duplicados minam essa confiança e prejudicam a credibilidade da profissão.
 
Uma pesquisa realizada pela National Association of Realtors (NAR) revela que 60% dos clientes escolhem seus corretores com base na percepção de valor agregado, e não por amizade. Para conquistar essa confiança tão necessária, os corretores precisam adotar planos de marketing estruturados, realizar análises comparativas de mercado e, principalmente, investir em especialização local. Um profissional bem preparado é aquele que se destaca em meio à concorrência.
 

O Futuro do Mercado Imobiliário Brasileiro

À luz dessas transformações, o futuro do mercado brasileiro está diante de uma encruzilhada. Há uma escolha a ser feita: esperar que clientes e reguladores imponham novas práticas ou assumir desde já o compromisso de agregar mais valor ao serviço prestado. O corretor que não investe em sua capacitação e permanece isolado tende a perder espaço. O futuro pertence àqueles que entenderem a importância de atuar em rede, adotar tecnologias e se posicionar como verdadeiros consultores.
 
Hoje, menos de 5% das imobiliárias brasileiras fazem parte de redes, em comparação com os EUA, onde grupos como RE/MAX e Century 21 dominam 80% do mercado. Essas redes permitem acesso a tecnologias avançadas e um suporte estrutural que beneficia tanto os corretores quanto os consumidores. A lógica é semelhante à observada no varejo farmacêutico, onde a colaboração e a tecnologia resultam em serviços mais eficazes e confiáveis.
 

A Hora da Ação

Com as lições aprendidas a partir do mercado norte-americano, fica claro que os corretores brasileiros têm a tarefa de elevar seus padrões profissionais. A jornada em direção a essa transformação não é simples, mas é absolutamente necessária. As práticas antiquadas, que ainda permeiam o mercado, precisam ser deixadas para trás, dando lugar a uma atuação mais ética, transparente e alinhada às expectativas dos consumidores.
 
Em resumo, o alerta dado pelos corretores dos EUA não deve ser visto como um desafio, mas como uma oportunidade. O mercado brasileiro pode e deve acelerar sua evolução, adotando novas tecnologias e metodologias que visem melhorar a experiência do cliente.
 

Desbravando Novos Caminhos

Portanto, os corretores do Brasil têm em mãos não apenas o desafio de se adaptar, mas de se destacar em um cenário cada vez mais competitivo. Ser proativo neste processo não é apenas uma vantagem, mas uma questão de sobrevivência no mercado. Se reinventar, capacitar-se e compreender a nova realidade do consumidor são os passos que levarão os profissionais do setor a um futuro promissor.
 
Por fim, ao refletir sobre tudo isso, fica claro que a mudança já começou. A pergunta que resta é: você está pronto para embarcar nessa jornada rumo à transformação e ao sucesso? O futuro do mercado imobiliário brasileiro depende da vontade de cada um de seus profissionais em evoluir e se comprometer com a excelência.