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Acontece no mercado imobiliário

Regulação eficaz da MP dos data centers no mercado imobiliário

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

24 de setembro de 2025

tempo de leitura:

10 min

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A recente Medida Provisória (MP) do governo brasileiro, que visa regular o setor de data centers, abre um novo capítulo para a transformação digital no país. Com a crescente demanda por infraestrutura digital impulsionada pela revolução da inteligência artificial, o Brasil se posiciona como um potencial centro global nesse mercado.
 
No entanto, é vital que essa regulação seja embasada em princípios que garantam segurança jurídica e atração de investimentos. A MP propõe, entre outras iniciativas, a criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (REDATA), que busca reduzir a carga tributária e incentivar o crescimento sustentável do setor.
 
Além disso, destaca-se a importância da colaboração com o setor privado na expansão da infraestrutura de conexão e no uso de energia renovável. O debate no Congresso será crucial para equilibrar crescimento econômico e regulamentação adequada. Prepare-se para explorar os desafios e oportunidades que a regulação dos data centers pode trazer para o Brasil:
 

A MP dos data centers e o caminho para uma boa regulação

A recente Medida Provisória (MP) do governo brasileiro que visa regular o setor de data centers marca um momento crucial para o desenvolvimento tecnológico do país. Com a crescente demanda por infraestrutura digital, propiciada pela revolução da inteligência artificial, torna-se evidente que o Brasil possui um potencial imenso para se destacar nesse mercado global. No entanto, para que essa oportunidade seja plenamente aproveitada, é necessário que a regulação venha acompanhada de princípios sólidos que garantam segurança jurídica e uma estrutura de incentivos que atraia investimentos significativos.

 

A Necessidade de uma Boa Regulação

Os desafios que cercam a regulação do setor de data centers são multifacetados. Não se trata apenas de criar regras, mas de fomentar um ambiente que possibilite crescimento sustentável. A MP que estabelece o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (REDATA) é uma tentativa eficaz de aliviar a pesada carga tributária que recai sobre a aquisição de equipamentos, representando até 70% do custo total de projetos deste tipo. Essa medida é estratégica, pois reduz o impacto financeiro sobre os investimentos iniciais, tornando o Brasil mais competitivo em relação a outros países.
 
Entretanto, o papel do Congresso é vital nesse processo. É imperativo que os legisladores consigam equilibrar os desejos de crescimento econômico com a necessidade de um regime regulatório que não crie restrições desnecessárias. Por exemplo, limitar o desenvolvimento de data centers a áreas específicas de Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) pode resultar em desigualdades regionais, reeditando conflitos históricos como a “guerra fiscal”. Assim, o debate no Congresso deve ser amplo e incluir todas as partes interessadas para evitar decisões que possam limitar o potencial de crescimento do setor.
 

A Integração com o Setor Privado

Uma estratégia alternativa e promissora seria promover, em colaboração com o setor privado, a expansão da rede de cabos submarinos de fibra ótica. Esse desenvolvimento é crucial para garantir uma conexão eficiente com mercados globais, especialmente na América do Norte e Europa. Um exemplo notável é a extensão do cabo submarino Malbec que alcançou Porto Alegre, posicionando esta região como um novo polo para data centers. Tal investimento em infraestrutura não só facilita o acesso ao mercado externo, mas também promove a competitividade nacional.
 
Outro ponto relevante trazido pela MP do REDATA diz respeito à obrigatoriedade de utilização de energia limpa e renovável nos data centers, além da exigência de que pelo menos 10% da capacidade de processamento e armazenamento seja destinada ao mercado interno. Essas diretrizes não apenas reforçam a importância da sustentabilidade, mas também promovem uma discussão sobre o “nearshoring” (terceirizar serviços) de dados brasileiros que atualmente são armazenados em servidores no exterior.
 

Oscilações na Regulação e Seus Riscos

É preciso considerar que na jornada para regular o setor de data centers, há muitos assuntos paralelos que podem interferir nas discussões. Temas como a proteção de dados, soberania digital e planejamento da infraestrutura elétrica são frequentemente entrelaçados nas conversas, podendo criar confusão e dificultar a implementação de uma regulação clara e eficaz. O risco de que a regulação da inteligência artificial se confunda com a regulação dos data centers é uma preocupação legítima que deve ser abordada com cautela.
 
Como Richard Posner, respeitado professor da University of Chicago Law School, afirmou, o papel da regulação não está apenas em controlar um mercado, mas em facilitar condições que promovam eficiência e alocação ideal de recursos. No Brasil, a história nos ensina que muitas vezes a regulação excessiva ou mal direcionada pode sufocar inovações e frear o crescimento. Portanto, a receita para uma regulação efetiva pode muito bem ser a simplicidade – focar no essencial e eliminar o que é supérfluo.
 

O Papel do Investimento em Pesquisa e Desenvolvimento

Além das questões fiscais, a MP do REDATA também impõe que 2% do valor total dos produtos adquiridos com o incentivo fiscal sejam investidos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Esta ação pode ser vista como um tipo de “cashback” mandatário que requererá uma análise cuidadosa de nossos representantes. Embora essa contribuição possa ser vista como um fardo adicional, ela também representa uma oportunidade significativa para impulsionar a inovação no setor de tecnologia e economia digital.
 
É fundamental que esse investimento seja direcionado para programas que realmente estimulem a pesquisa e que estejam alinhados com as necessidades do mercado. O sucesso dessa iniciativa depende de um diálogo aberto entre o setor privado, o governo e as universidades, garantindo que os projetos apoiados sejam viáveis e que realmente atendam às demandas do setor.
 

Desafios e Oportunidades à Vista

Os desafios que se apresentam com a regulamentação de data centers no Brasil são claros, mas não insuperáveis. À medida que o Congresso avança nas discussões referentes à MP do REDATA e sua interação com as ZPEs, é vital que todos os stakeholders fiquem engajados nesse processo. Os benefícios potenciais são imensos: não apenas a possibilidade de atrair investimento estrangeiro, mas também a chance de desenvolver um ecossistema digital robusto que possa colocar o Brasil em uma posição de destaque na economia global.
 
Por fim, é necessário ter em mente que a regulação deve ser uma ferramenta que promove a inovação, não um obstáculo a ser superado. Além disso, o momento atual exige uma abordagem proativa por parte de todos os envolvidos. O Brasil tem a chance de se tornar um líder em infraestrutura digital, mas isso somente será possível se conseguirmos alinhar os interesses do mercado com uma regulação inteligente e adaptável.
 
Rumo ao Futuro dos Data Centers
 
Ao olharmos para os próximos passos na regulação dos data centers, é essencial manter um foco claro e unificado. A combinação de incentivos fiscais, investimentos em infraestrutura e um compromisso com a sustentabilidade pode posicionar o Brasil como um player importante neste setor em crescimento. Aproveitar esta janela de oportunidade requer que todos trabalhem juntos, com um objetivo comum de construir um futuro digital próspero e inovador.

Portanto, a hora é agora! Vamos juntos trilhar o caminho da regulação e das oportunidades que ela pode oferecer. As possibilidades são vastas, e o envolvimento de todos – governo, setor privado e sociedade – será fundamental para garantir um futuro brilhante para os data centers no Brasil.