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Acontece no mercado imobiliário

Como o mercado imobiliário de SP pode lucrar com a liquidação do estoque de CEPACs?

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

3 de setembro de 2025

tempo de leitura:

10 min

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A cidade de São Paulo enfrenta um momento crítico em relação ao mercado imobiliário, particularmente no que diz respeito ao Certificado de Potencial Adicional de Construção (CEPAC). Em meio a leilões que apresentaram baixa demanda e preços elevados, a Prefeitura decidiu reavaliar os valores dos CEPACs que sobraram do último leilão, onde apenas 57% da oferta foi vendida.

A proposta de redução de preços surge como uma estratégia para revitalizar o interesse dos investidores e impulsionar projetos de infraestrutura urbana. O CEPAC tem um papel fundamental na melhoria de áreas carentes de investimentos, mas sua eficácia está atrelada a preços que reflitam a realidade do mercado. Com desafios políticos e jurídicos à vista, a transparência nas ações da Prefeitura será crucial para reconquistar a confiança dos investidores.

Este artigo explora as nuances dessa política de preços e as perspectivas futuras para o mercado imobiliário paulistano: descubra como essas mudanças podem transformar o cenário urbano da cidade!

Saldão do CEPAC: SP pode baixar preço para vender o que sobrou

Nos últimos anos, a dinâmica do mercado imobiliário em São Paulo tem enfrentado desafios e oportunidades constantes. Um desses desafios está diretamente relacionado ao CEPAC (Certificado de Potencial Adicional de Construção), um instrumento criado para viabilizar obras e melhorias urbanas em áreas específicas, como a Operação Urbana Consorciada Faria Lima.

Recentemente, a Prefeitura de São Paulo anunciou sua intenção de reavaliar os preços dos CEPACs que não foram vendidos durante o leilão realizado no ano passado, onde apenas 57% da oferta foi colocada em circulação. A questão que surge agora é: como essa possível redução de preços impactará o mercado? Vamos explorar este tema em detalhes.

O que é o CEPAC e sua importância para São Paulo?

O CEPAC é um mecanismo que permite ao governo municipal zelar pela recuperação e valorização de áreas urbanas através do aumento do potencial construtivo de certas parcelas de terreno. Funciona como uma forma de incentivo financeiro para investidores e empreendedores, permitindo que projetos de infraestrutura e urbanização sejam realizados em regiões que demandam melhorias históricas.

A Operação Urbana Consorciada Faria Lima, que iniciou suas atividades na década de 1990, é um dos maiores exemplos dessa estratégia. Com o uso do CEPAC, espera-se que novas construções e adaptações contribuam para o crescimento econômico e a melhora na qualidade de vida dos habitantes.

Contudo, o cenário atual mostra que a venda de CEPACs tem enfrentado dificuldades. O último leilão, que teve um total de 164,5 mil títulos à venda, resultou em uma arrecadação abaixo do esperado, levantando apenas R$ 1,7 bilhão contra uma expectativa de R$ 2,89 bilhões. Esse descompasso se deve, entre outros fatores, ao preço elevado dos CEPACs, que foi mantido em R$ 17,6 mil. Essa situação não só afugenta potenciais investidores, mas também levanta questionamentos sobre a eficácia da operação.

A política de preços e suas consequências

A recente decisão da Prefeitura de São Paulo de considerar a possibilidade de reduzir o preço dos CEPACs representa um movimento estratégico. Historicamente, a política de preços dos CEPACs tem sido rígida, sempre mantendo valores elevados baseados nos leilões anteriores. No entanto, a resistência do mercado tem evidenciado que esses preços estão desajustados à realidade atual. Otimistas com relação a essa nova abordagem acreditam que uma queda nos preços poderia revitalizar o interesse dos investidores, algo necessário para a recuperação econômica da área.

A última vez que o CEPAC da Faria Lima teve sua venda ajustada para um preço menor foi em 2015, quando os valores giravam em torno de R$ 1,5 mil a R$ 1,7 mil. Essa mudança estratégica provou ser eficaz, pois gerou um aumento significativo na demanda. Em um contexto onde o último leilão mostrou que a prática de manter preços altos pode ser contraproducente, torna-se evidente que é hora de abrir espaço para uma reestruturação dos valores e uma nova avaliação das expectativas do mercado. O prefeito Ricardo Nunes afirmou que o próximo leilão ocorrerá em 2026, o que sugere um planejamento cuidadoso para alinhar as vendas às condições do mercado.

Os desafios da redução de preços

Embora a ideia de baixar o preço dos CEPACs possa parecer uma solução viável para a baixa demanda, ela não é isenta de desafios. A redução de preços pode levar a um clima de incerteza política e jurídica, especialmente com a necessidade de atender órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Município. A advogada Luanda Backheuser alerta que o maior custo da diminuição dos preços será, na verdade, político. Qualquer mudança significativa pode enfrentar resistência e questionamentos sobre sua viabilidade e eficiência a longo prazo.

Além disso, para garantir a venda dos títulos a preços reduzidos, a Prefeitura precisará demonstrar que o mercado não absorveria uma nova oferta ao preço atual. Essa tarefa não é simples e exigirá dados concretos e análises detalhadas. Portanto, é essencial que as autoridades municipais realizem estudos financeiros rigorosos para fundamentar uma nova estratégia que possa reinjetar confiança no mercado e incentivar investimentos.

O papel da transparência no leilão de CEPAC

A transparência nas operações de leilão de CEPAC é crucial para atrair investidores. A desconfiança que permeia o mercado pode ser dissipada com informações claras e acessíveis sobre as condições de venda, impactos esperados e benefícios a serem gerados. Em uma economia dominada pela incerteza, investidores buscam segurança e previsibilidade. Portanto, a comunicação eficaz e a transparência nas ações da Prefeitura serão essenciais para reviver o interesse na compra de CEPACs e na contribuição para projetos que beneficiem a cidade.

Perspectivas futuras para o mercado de CEPAC em São Paulo

Com a possibilidade de redução de preços, é possível vislumbrar um horizonte mais otimista para o mercado de CEPAC em São Paulo. A reavaliação dos preços poderá não apenas aumentar a competitividade dos títulos, mas também proporcionar uma nova onda de projetos de desenvolvimento urbano. O setor imobiliário pode se beneficiar muito com uma abordagem flexível e adaptativa, que leve em consideração as necessidades do mercado e a realidade econômica atual.

Embora a questão da redução de preços ainda dependa de aprovações políticas e jurídicas, a merecida atenção das autoridades para esse processo pode trazer à tona um novo ciclo de crescimento e desenvolvimento na cidade. Iniciativas voltadas para a melhoria da infraestrutura urbana e a revitalização de áreas degradadas podem encontrar suporte em investimentos que, antes, estavam afastados devido aos altos custos.

Ainda há um longo caminho a percorrer, mas o futuro parece promissor!

Para finalizar, a discussão sobre o saldão do CEPAC em São Paulo revela a complexidade do mercado imobiliário e as nuances envolvidas na manipulação de preços. A necessidade de se adaptar às novas realidades impostas pelo mercado é inegável e, com um planejamento estratégico e consciente, a Prefeitura pode criar oportunidades de crescimento que beneficiarão toda a sociedade. As mudanças na política de preços estão a caminho e um ajuste pode ser a chave para desbloquear o potencial que o mercado imobiliário tem a oferecer na cidade.

Assim, enquanto aguardamos mais novidades sobre os próximos leilões e a efetivação das propostas de redução de preços, torna-se evidente que a balança entre os desafios e oportunidades deve ser cuidadosamente equilibrada. O futuro é incerto, mas com uma abordagem proativa, São Paulo pode transformar seus desafios em oportunidades de transformação urbana.