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Acontece no mercado imobiliário

CEO da CBRE alerta sobre aperto na conta dos CEPACs

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

19 de agosto de 2025

tempo de leitura:

9 min

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O mercado imobiliário de São Paulo enfrenta uma fase desafiadora, especialmente em relação aos Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs), com a afirmação do CEO da CBRE, Adriano Sartori, destacando que “a conta do CEPAC está bastante apertada”. Essa situação reflete as incertezas e os desafios financeiros que investidores enfrentam, principalmente devido à alta nas taxas de juros, atualmente em torno de 15%, e ao aumento dos custos de construção.

O leilão de CEPACs da Operação Urbana Faria Lima, com um lance inicial de R$ 17,6 mil, pode ser um divisor de águas, mas gera cautela entre os investidores, que reavaliam suas estratégias. A demanda por espaço continua forte em meio a essa pressão, mas a limitação de novos empreendimentos agrava o cenário. Com a possibilidade de arrecadação de R$ 2,8 bilhões, o sucesso do leilão poderá desbloquear novos projetos urbanos, se bem sucedido. Prepare-se para entender detalhadamente as dinâmicas e perspectivas do mercado imobiliário em São Paulo:

A conta do CEPAC está bastante apertada: Perspectivas e Desafios no Mercado Imobiliário

O cenário do mercado imobiliário em São Paulo tem passado por transformações significativas, especialmente no que diz respeito aos Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs). A realidade é que, como destacou o CEO da CBRE, Adriano Sartori, “a conta do CEPAC está bastante apertada.” Este comentário reflete a crescente preocupação de investidores e empreendedores diante das incertezas do mercado e dos desafios financeiros envolvidos nas operações de compra desses certificados.

A partir de amanhã, ocorrerá na B3 o leilão de CEPACs relacionados à Operação Urbana Faria Lima, um evento que promete atrair a atenção de diversos stakeholders. Com um lance inicial de R$ 17,6 mil por título, muitos investidores estão revendo suas estratégias. A mensagem que permeia as análises de viabilidade é clara: está difícil para quem possui terrenos históricos, principalmente considerando o aumento dos custos de construção e a taxa de juros elevada, que atualmente gira em torno de 15%. Para muitas empresas, essa equação financeira não fecha, o que pode levar à redução da oferta de novos projetos.

O Impacto da Taxa de Juros e o Aumento de Custos

O aumento constante nas taxas de juros e nos custos de construção tem gerado um verdadeiro dilema no setor imobiliário. Sartori observou que a flutuação dos preços dos terrenos se mantém, enquanto os custos de construção continuam a subir, tornando cada vez mais desafiador para os investidores tomarem decisões acertadas. Para muitos proprietários, a expectativa de retorno sobre o investimento torna-se cada vez mais incerta, levando a um clima de cautela entre os grandes players do mercado.

Além disso, o próprio fluxo de caixa das operações é comprometido pelo desembolso inicial necessário para a aquisição dos CEPACs. A estratégia de comprar títulos com a esperança de que os aluguéis aumentem futuramente é considerada arriscada por Sartori, uma vez que o retorno sobre esse investimento pode não compensar a despesa inicial se o custo do desenvolvimento não for bem calculado. O sentimento entre os investidores parece apontar para um cuidado redobrado na hora de avaliar oportunidades, buscando sempre uma média de referência do mercado para determinar o preço justo a ser pago.

A Demanda e a Realidade dos Projetos

Apesar da pressão sobre os preços e dos desafios financeiros, a demanda por espaço em São Paulo permanece forte. A recuperação do modelo presencial após a pandemia, conforme os dados da CBRE, já compensou a perda de contratos de locação durante o período crítico. No primeiro semestre, a absorção líquida de inquilinos na cidade atingiu marcantes 165 mil metros quadrados, o maior nível dos últimos 17 anos. Porém, essa recuperação é ofuscada pela escassez de novos empreendimentos, pois o estoque novo não está acompanhando a alta demanda.

Adriano Sartori mencionou que, embora muitos CEOs estejam ansiosos para retomar as operações presenciais, a falta de espaço disponível limita essa movimentação. A Faria Lima, uma das regiões mais almejadas pelas grandes empresas, continua a ver seus preços dispararem. Em algumas áreas, o custo de locação pode chegar a R$ 350 por metro quadrado, número significativamente superior ao que se encontra na Marginal Pinheiros, onde os valores estão na faixa de um terço.

Destravando Novos Projetos

Para destravar novos projetos e atender à demanda reprimida, a venda de CEPACs se torna uma peça-chave. O leilão marcado para amanhã envolverá a venda de 164 mil certificados, e, se todos forem vendidos a R$ 17,6 mil, a Prefeitura pode arrecadar cerca de R$ 2,8 bilhões. A expectativa é que, se bem-sucedido, o leilão possa fomentar a construção de novos empreendimentos, especialmente na região da Faria Lima, que enfrenta sérias limitações de terreno.

No entanto, o sucesso deste leilão não deve ser mensurado apenas pela quantidade arrecadada, mas sim pela capacidade de atender à demanda existente. Como alertou Sartori, “o fracasso seria não vender todos os títulos.” Tal situação poderia resultar em uma repetição do que ocorreu em ofertas anteriores na Água Espraiada, onde a primeira fase teve alta procura, mas a segunda foi marcada pela queda na demanda, levando a uma espiral de incertezas.

Cenários Futuro e Estratégias de Investimento

Com o avanço do leilão de CEPACs, surge a necessidade de uma reavaliação das estratégias de investimento. A ascensão das estratégias especulativas pode parecer atraente, especialmente para aqueles que desejam adquirir CEPACs visando à revenda no mercado secundário. Contudo, a CBRE alerta que isso também é uma manobra arriscada, pois o investidor pode se encontrar sem um terreno ao qual vincular o título, colocando em risco seu investimento.

Além disso, a disposição dos fundos imobiliários (FIIs) em investir em CEPACs é um fator determinante. Nos últimos anos, muitos desses fundos concentraram suas operações em galpões logísticos, especialmente após a pandemia, o que resultou na diminuição do apetite para projetos de escritórios. O leilão pode ser a oportunidade de recuperar esse apetite, mas exige uma análise cuidadosa do ambiente econômico e das variáveis de mercado.

Regulamentação e Oportunidades Urbanas

Onde há riscos, também surgem oportunidades. A regulamentação vigente e os projetos em andamento podem abrir novas possibilidades para desenvolvimento urbano em São Paulo. A visão de verticalização e o aproveitamento de terrenos subutilizados podem transformar o panorama urbano, beneficiando não apenas os investidores, mas também a população e a arrecadação fiscal da cidade através do IPTU. É crucial, portanto, que investidores e autoridades trabalhem juntos para criar um ambiente propício ao desenvolvimento sustentável.

E assim, o futuro do mercado imobiliário em São Paulo se desenha entre desafios e oportunidades. A tensão em torno da conta do CEPAC reflete a incerteza que permeia o setor, mas, com planejamento e estratégia, é possível contornar esses obstáculos e reinventar o espaço urbano na capital paulista. A jornada está apenas começando, e aqueles que conseguirem navegar por esse mar de incertezas provavelmente colherão os frutos em um futuro próximo.

À medida que avançamos neste leilão crucial, fica a pergunta: quem sairá na frente nesse jogo de xadrez imobiliário? A resposta pode estar nas mãos daqueles que não apenas acreditam na valorização do espaço, mas que também estão dispostos a adaptar suas estratégias para enfrentar os desafios que surgem. O futuro é promissor, mas requer coragem e visão para realmente florescer.