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Acontece no mercado imobiliário

Abrainc propõe medida para impulsionar crédito imobiliário

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

7 de agosto de 2025

tempo de leitura:

8 min

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A Abrainc, entidade que representa o setor de incorporações e construção no Brasil, apresenta uma proposta audaciosa ao Banco Central: o fim do compulsório da caderneta de poupança. Luiz França, presidente da associação, argumenta que essa medida poderia revolucionar o crédito imobiliário, proporcionando alternativas de financiamento mais flexíveis em um cenário marcado por altas taxas de juros e rigidêz na concessão de crédito.

Atualmente, cerca de 65% dos recursos da poupança são destinados ao crédito imobiliário, mas muitos especialistas consideram esse modelo ultrapassado. A proposta da Abrainc inclui a criação de uma linha de redesconto, onde o Banco Central emprestaria aos bancos a um custo semelhante ao que remunera os poupadores, desbloqueando até 35 bilhões de reais para o mercado. No entanto, apesar das esperanças, o setor ainda enfrenta desafios significativos, como a dificuldade crescente para obter financiamentos. Confira neste artigo como essa proposta pode impactar o mercado imobiliário brasileiro e quais são as perspectivas futuras:

Abrainc defende fim do compulsório da poupança para impulsionar crédito imobiliário

Nas conversas com o Banco Central, a Abrainc, que representa o setor de incorporações e construção no Brasil, coloca em pauta uma proposta audaciosa: o fim do compulsório da poupança. Essa medida tem o potencial de revolucionar o cenário do crédito imobiliário no país. Luiz França, presidente da associação, sugere uma nova abordagem para o funding imobiliário, buscando alternativas que não dependam exclusivamente da caderneta de poupança, um modelo que, segundo muitos especialistas, já está ultrapassado.

O que é o compulsório da poupança?

O compulsório da poupança é a parcela dos depósitos que os bancos são obrigados a reservar, sendo que uma parte desse montante é direcionada ao crédito imobiliário. Atualmente, cerca de 65% dos recursos da caderneta de poupança são destinados a esse tipo de financiamento para a compra da casa própria ou construção de imóveis. Além disso, 15% podem ser utilizados para outras finalidades, enquanto os restantes 20% ficam em um fundo compulsório, que oferece uma remuneração de 6,17% ao ano mais a TR.

O sistema, embora tenha funcionado por décadas, está se mostrando insuficiente diante das novas demandas do mercado. A interação entre juros altos e a rigidez do compulsório impede uma maior fluidez no acesso ao crédito, e isso tem sido um obstáculo significativo para as incorporadoras que buscam financiamento para novos empreendimentos.

A proposta da Abrainc: novas soluções para o crédito imobiliário

A proposta da Abrainc visa substituir o sistema atual por uma linha de redesconto poupança, onde o Banco Central passaria a emprestar aos bancos a um custo semelhante ao que esses bancos pagam aos poupadores. Isso significaria que, se um problema surgisse, o BC poderia intervir, oferecendo recursos na mesma taxa que remunera os investidores, proporcionando uma base mais sólida para o crédito imobiliário.

Luiz França argumenta que essa mudança poderia liberar até 35 bilhões de reais no mercado, caso apenas 5% do compulsório fosse disponibilizado para o financiamento imobiliário. Esse desbloqueio de recursos representa uma oportunidade valiosa para as construtoras, que, em meio a um cenário de juros elevados, precisam encontrar alternativas eficazes para continuar lançando novos projetos. O Metro Quadrado tem discutido essas questões e como elas impactam diretamente a dinâmica do mercado.

Os desafios que ainda permanecem

Apesar das esperanças trazidas pela proposta de reformas, a realidade do crédito imobiliário ainda apresenta barreiras. Uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica revelou que 86% do setor considera que obter financiamentos se tornou mais difícil nesse ano. A alta taxa de juros, somada à exigência do sistema financeiro, gera preocupação entre os executivos do setor. Muitos estão se voltando para o mercado de capitais, buscando formas alternativas de financiamento direto com investidores, reduzindo a dependência dos bancos tradicionais.

A mudança proposta pode ser um caminho, mas será fundamental que qualquer alteração no sistema também considere a indexação dos créditos ao IPCA, uma sugestão adicional da Abrainc. Para muitas das grandes instituições, essa ideia ainda parece distante, mas poderia ajudar a oferecer opções mais viáveis e atraentes para os compradores de imóveis.

Um mercado em transformação

Enquanto as discussões sobre o fim do compulsório da poupança avançam, o setor imobiliário brasileiro está em forte transformação. A necessidade de uma resposta ágil e criativa para os desafios enfrentados nunca foi tão urgente. Com um mercado que se ajusta constantemente às condições econômicas e monetárias, os players do setor precisam estar prontos para adotar novas estratégias.

Então, o que podemos esperar do futuro? Se a proposta da Abrainc for bem-sucedida, poderemos ver um aumento na disponibilidade de crédito imobiliário, fazendo com que mais pessoas possam realizar o sonho da casa própria. Por outro lado, a presença persistente de altas taxas de juros pode continuar a limitar o crescimento do mercado. É um equilíbrio delicado que demanda atenção constante e inovação por parte de todos os envolvidos.

O diálogo entre o setor privado e os órgãos reguladores é crucial para moldar o futuro do crédito imobiliário. À medida que a Abrainc busca abolir o compulsório da poupança, é vital que todos os partes interessadas se unam em torno desse objetivo comum. Somente assim será possível criar um ambiente favorável para o crescimento sustentável do mercado imobiliário brasileiro.

Ainda há muito a se discutir, e enquanto isso, as incorporadoras e construtoras devem manter os olhos abertos para as novas oportunidades que surgem. O comprometimento com a inovação e a adaptação é que permitirá que o setor não apenas sobreviva, mas prospere em tempos desafiadores.

E assim, enquanto o debate sobre o fim do compulsório da poupança continua, a esperança por um mercado imobiliário mais acessível e dinâmico permanece viva. Vamos acompanhar as próximas etapas dessa jornada e torcer para que soluções eficazes sejam implementadas, beneficiando tanto o setor quanto os futuros proprietários de imóveis.