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Acontece no mercado imobiliário

Escassez de Instalações para Indústria Farmacêutica no Mercado Imobiliário

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

18 de julho de 2025

tempo de leitura:

10 min

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O setor farmacêutico brasileiro enfrenta uma grave escassez de galpões adequados, crucial para suas operações e expansão. Apesar da crescente oferta de galpões logísticos no país, as indústrias de life sciences, como farmacêuticas e biotecnológicas, lutam para encontrar instalações que atendam às rigorosas normas técnicas e regulatórias exigidas pela Anvisa e vigilâncias sanitárias. O processo de estabelecimento de operações nesse setor pode demorar até 10 meses devido a requisitos específicos, como controle de temperatura e infraestrutura elétrica robusta.

Além disso, os desafios de zoneamento urbano limitam as áreas disponíveis, complicando ainda mais a busca por imóveis adequados. Com o aumento da demanda e custos elevados de adaptação das estruturas, as empresas estão adotando estratégias como construções sob medida, embora isso traga riscos significativos. O contexto exige um olhar atento sobre novas oportunidades, como a criação de condomínios de laboratórios e parcerias estratégicas, que poderão aliviar a pressão do mercado. Descubra as intricadas dinâmicas desse cenário e as possíveis soluções:

Estão faltando galpões para o setor farmacêutico: Entenda os desafios e oportunidades

O mercado imobiliário brasileiro tem enfrentado desafios singulares, principalmente no que tange à disponibilidade de galpões para o setor farmacêutico. Enquanto o estoque de galpões logísticos no Brasil cresce vertiginosamente desde a pandemia, o segmento de life sciences, que inclui indústrias farmacêuticas, de biotecnologia e equipamentos médicos, enfrenta sérias dificuldades. Essas empresas têm se deparado com a dificuldade em encontrar imóveis que atendam às rigorosas normas técnicas e regulatórias exigidas pelo setor, o que impacta diretamente suas operações e planos de expansão.

A demanda crescente por galpões no setor farmacêutico

A primeira questão a ser considerada é a crescente demanda por galpões adequados para o setor farmacêutico. Segundo informações da JLL, as operações de life sciences no Brasil podem levar até 10 meses para se estabelecer, um prazo significativamente maior em comparação com as operações comerciais comuns que geralmente não ultrapassam seis meses. Essa diferença de tempo não é meramente burocrática; ela reflete uma necessidade crítica de atender a requisitos específicos impostos pela Anvisa e pelas vigilâncias sanitárias locais.

Os galpões dedicados ao setor farmacêutico precisam possuir características específicas como controle de temperatura, sistemas de filtragem de ar eficientes, ambientes estéreis e uma infraestrutura elétrica robusta. Isso significa que cada projeto deve ser cuidadosamente planejado e executado, pois a improvisação pode comprometer a segurança e a qualidade dos produtos desenvolvidos. As empresas de life sciences não podem se dar ao luxo de uma estrutura inadequada; a segurança operacional é primordial.

Desafios regulatórios e de zoneamento

Outro fator que agrava a situação da disponibilidade de galpões para o setor farmacêutico é a questão do zoneamento urbano. Para operar legalmente, as empresas precisam estar instaladas em zonas industriais que permitam o manuseio de substâncias químicas e biológicas. Isso restringe a quantidade de áreas disponíveis, levando muitas organizações a negociações frustrantes. Muitas vezes, as empresas vêm a descobrir, após longas e complexas negociações, que o espaço que parecia ideal na verdade não atende às exigências legais necessárias.

Ricardo Hirata, diretor de locação industrial da JLL, destacou essa frustração ao afirmar que “muitas vezes, o imóvel até parece adequado fisicamente, mas está em uma área onde não é possível obter a licença da vigilância sanitária ou da Anvisa.” Portanto, a adequada análise e pesquisa de mercado são vitais para evitar complicações futuras que poderiam atrasar ou até inviabilizar operações essenciais.

Investimentos e adaptações: O caminho para o sucesso

Com a escassez de galpões apropriados, muitas empresas têm optado por built-to-suits, uma estratégia que envolve a construção de imóveis sob medida para atender às suas necessidades específicas. No entanto, esse caminho traz riscos significativos. Se a empresa decidir mudar ou encerrar operações, o imóvel pode tornar-se um fardo, difícil de alugar para outros potenciais inquilinos.

Além disso, os custos de adaptação para atender às exigências do setor farmacêutico podem variar drasticamente. De acordo com profissionais do setor, as intervenções básicas podem custar entre R$ 1,5 mil e R$ 2,5 mil por metro quadrado, e em instalações mais complexas, voltadas para produção estéril, esses valores podem ultrapassar R$ 6 mil por metro quadrado. Esse cenário de altos custos e riscos pode inibir novos investimentos e inovações dentro do setor.

Perspectivas regionais: O papel de São Paulo e Minas Gerais

Em termos de localização, o estado de São Paulo é sem dúvida o líder em termos de espaço locado para operações de life sciences, com cerca de 68% da área ocupada no país. Os principais polos de atuação incluem Cajamar, Embu, Guarulhos e Jundiaí. Minas Gerais também se destaca, especialmente em Varginha, onde grandes farmacêuticas já ocupam espaço.

Regiões como Goiânia, Salvador e Recife têm atraído investimentos devido a incentivos fiscais, porém a oferta continua sendo um problema. Enquanto isso, o modelo de lab properties — galpões especificamente projetados para laboratórios — ainda está engatinhando no Brasil, se comparado aos Estados Unidos, onde há 18 milhões de metros quadrados dedicados a essa finalidade.

Oportunidades em um mercado em transformação

Apesar dos desafios, existem oportunidades emergentes. O setor farmacêutico, particularmente no Brasil, está vendo um aumento na demanda por produtos e serviços. A necessidade de inovação e agilidade nas operações cria um ambiente propício para empresas que se dispõem a investir em espaços adequados. Com a falta de galpões, uma nova onda de desenvolvimento pode surgir, criando uma resposta instintiva ao desajuste entre oferta e demanda.

A criação de condomínios de laboratórios, como o Master Labs em São Paulo, é uma tendência que poderá ajudar a aliviar parte da pressão sobre o mercado. Esse tipo de desenvolvimento pode proporcionar uma solução colaborativa, permitindo que várias empresas compartilhem infraestrutura e reduzam custos operacionais.

Rumo ao futuro: Soluções para o setor farmacêutico

Para enfrentar os desafios atuais, o setor farmacêutico brasileiro precisa evoluir em sua abordagem em relação aos espaços de operação. As soluções não se limitam apenas à construção de novos galpões, mas também à necessidade de otimizar os existentes e adaptar estruturas de acordo com as exigências normativas. O diálogo entre empreendedores, investidores e órgãos reguladores será crucial para o desenvolvimento de um ambiente que favoreça a inovação e a estabilidade.

O mercado imobiliário está repleto de desafios, mas também de oportunidades para aqueles dispostos a navegar por essas águas complexas. À medida que o setor de life sciences continua a crescer, as empresas que adotarem uma mentalidade proativa e criativa estarão melhor posicionadas para prosperar.

  • Simplificar processos regulatórios;
  • Investir em tecnologias que viabilizem estruturas flexíveis;
  • Fomentar parcerias estratégicas entre empresas do setor;
  • Explorar incentivos fiscais e políticas públicas favoráveis. 

A jornada em direção a um futuro onde a disponibilidade de galpões para o setor farmacêutico seja uma realidade exige determinação e visão. Ao comparar as experiências de outros mercados, como o americano, podemos traçar um caminho claro para o Brasil, utilizando a tecnologia e a inovação como aliadas.

Um olhar positivo para o horizonte

Diante de todos esses aspectos, a escassez de galpões para o setor farmacêutico representa tanto um desafio quanto uma oportunidade. À medida que o mercado continua a se desenvolver, torna-se essencial que as partes interessadas reconheçam as complexidades envolvidas e se unam em busca de soluções eficazes.

O futuro pode parecer incerto, mas ele também está repleto de potencial. Com iniciativas inovadoras e parcerias estratégicas, é possível criar um ambiente onde a indústria farmacêutica não apenas supere seus desafios, mas também se destaque como um exemplo de resiliência e crescimento no cenário global.