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Acontece no mercado imobiliário

Taxas do cartório em Minas: alta de 40x preocupa no mercado imobiliário

escrito por

Marcia Garcia

publicado em

10 de junho de 2025

tempo de leitura:

9 min

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Recentemente, Minas Gerais vivenciou um aumento drástico nas taxas de serviços notariais e registros de imóveis, que em alguns casos chegaram a ser multiplicadas por 40. Essa mudança, decorrente de uma nova legislação do Tribunal de Justiça, transformou o cenário imobiliário, levando empresários a afirmarem que “o cartório virou nosso sócio”. As taxas, que tinham se tornado razoáveis, agora subiram em média 226%, inviabilizando negócios e causando grande tumulto no planejamento financeiro de construtoras e incorporadoras. A situação é ainda mais crítica para propriedades rurais, onde os custos podem ter saltado até 1.200%. Diante dessa realidade insustentável, o Sinduscon de Minas já busca na justiça a suspensão das novas tarifas, alegando que estas criam um desequilíbrio competitivo em relação a outros estados. O texto a seguir explora as reações do setor, as implicações para o mercado e as perspectivas futuras para o setor imobiliário em Minas Gerais:

“O cartório virou nosso sócio.” Em Minas, algumas taxas subiram 40x

O recente aumento abrupto das taxas de serviços notariais e registros para imóveis nos cartórios de Minas Gerais tem causado um verdadeiro alvoroço no mercado imobiliário local. Com a entrada em vigor de uma nova legislação, as taxas subiram de forma alarmante, levando os empresários do setor a afirmarem que, de fato, “o cartório virou nosso sócio”. A realidade é que algumas taxas foram elevadas até 40 vezes, deixando muitos incorporadores e investidores em uma situação delicada. Vamos desvendar os detalhes dessa condição que se tornou insustentável para o desenvolvimento imobiliário no estado.

 

Um aumento sem precedentes

Desde que a nova lei proposta pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais entrou em vigor, as taxas cobradas por cartórios aumentaram dramaticamente. Todas as 24 categorias de registro de imóveis tiveram um acréscimo de impressionantes 226%. Agora, as escrituras que antes eram consideradas acessíveis tornaram-se extremamente caras. Como exemplo, a faixa mais alta de cobrança sofreu uma sobretaxa significativa, que varia conforme o valor do imóvel, chegando a preços que podem inviabilizar negócios. Segundo dados levantados pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, isso tem gerado um verdadeiro caos no planejamento financeiro das construtoras.

 

Com essa escalada nas tarifas, o custo continuar a crescer em diversas etapas do processo de compra e venda de imóveis. As taxas são aplicadas na aquisição do terreno, retificação de matrícula, incorporação, até mesmo na averbação do Habite-se. Um empresário anônimo revelou que o custo de um contrato saltou de R$ 18 mil para R$ 726 mil, refletindo o impacto direto destas mudanças na prática imobiliária e comercial. Nesse momento, surge a pergunta: como lidar com a estrondosa presença dos cartórios em um ambiente onde cada centavo conta?

 

O impacto sobre o mercado imobiliário

As incorporadoras em Minas estão tomando medidas ousadas para tentar reverter essa situação. O Sinduscon de Minas Gerais já moveu uma ação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) solicitando a suspensão imediata da nova tabela por um “perigo de dano concreto, atual e irreparável”. O argumento central é que não existe justificativa para tamanha elevação nos custos, sendo considerado um ato coercitivo e ilegal. Nesse contexto, é importante ressaltar que a receita obtida com essas tarifas não reflete um aprimoramento na qualidade dos serviços prestados pelos cartórios.

 

Além disso, a nova legislação apresenta um desequilíbrio competitivo entre Minas Gerais e outros estados, como São Paulo e Goiás, onde as taxas são significativamente mais baixas. Por exemplo, o levantamento realizado pelo Sinduscon revelou que os custos em Minas podem ser até 560% maiores do que em São Paulo. Sem dúvida, essa disparidade representa um grande desafio, especialmente para aqueles que desejam investir em território mineiro, afetando diretamente a viabilidade de projetos e iniciativas.

 

A questão da transferência de imóveis rurais

Outro ponto que merece destaque é a situação das transferências de titularidade de imóveis rurais. Um caso emblemático é o de uma fazenda avaliada em R$ 20 milhões, onde as taxas passaram de R$ 20,4 mil para astronômicos R$ 235 mil. Isso representa um aumento de 1.200%, mostrando como a nova legislação afeta não apenas os imóveis urbanos, mas também as propriedades rurais que desempenham um papel vital na economia do estado.

 

Esses aumentos desproporcionais não só oneram os financeiros como também podem levar os proprietários a considerar a possibilidade de realizar registros em estados vizinhos, onde as condições são mais favoráveis financeiramente. No entanto, a nova lei obriga que todo o processo ocorra dentro de Minas, tornando essa opção inviável.

 

Reações do setor imobiliário

As reações do setor têm sido diversas. De um lado, temos empresários assustados, que veem seus planos de investimento desmoronarem. Do outro, há uma crescente pressão sobre os órgãos responsáveis, visando a revisão dessas taxas abusivas. A situação atual exige um posicionamento eficaz por parte das autoridades, que devem avaliar o impacto real dessas cobranças para garantir um ambiente saudável e propício ao investimento.

 

Os relatos de situações semelhantes são comuns, e o sentimento de frustração ultrapassa o mero aumento de custos; trata-se da forma como as regras do jogo mudaram radicalmente, colocando em risco a realização de sonhos e projetos de muitos. A questão que permanece é: até quando o setor imobiliário de Minas Gerais conseguirá resistir a essa oneração?

 

A luta pela justiça fiscal

Enquanto isso, as vozes das incorporadoras ecoam nas salas do poder público. Apelos por razoabilidade nas taxas e pela reavaliação da justiça fiscal são frequentes. Os empresários clamam por um seguinte: “não queremos privilégios, apenas condições justas para operar”, destacando a necessidade de um equilíbrio que beneficie tanto os cidadãos quanto a administração pública.

 

A expectativa é que, com o apoio da sociedade e da mídia, sejam criadas condições para um debate saudável sobre o assunto, permitindo que o setor imobiliário recupere sua força e continue a contribuir para a economia do estado de Minas Gerais.

 

Perspectivas para o futuro

Por fim, o futuro do mercado imobiliário em Minas Gerais dependerá das próximas ações tanto do poder público quanto do setor privado. A busca por soluções que promovam um ambiente onde a inovação e o investimento possam prosperar é fundamental para que possamos superar esses desafios. Para que o sonho da casa própria ou do empreendimento se mantenha vivo, é preciso que os cartórios deixem de ser vistos como sócios indesejados.

 

Assim, a esperança é que através do diálogo e da mobilização, a comunidade empresarial unida consiga fazer valer suas demandas. O cenário atual pode parecer sombrio, mas também traz oportunidades para transformação e aprendizado. O momento é de união e determinação para restaurar a confiança e a viabilidade do mercado imobiliário em Minas Gerais.

 

Um novo capítulo em Minas Gerais

Estamos diante de uma oportunidade única para reformular práticas antiquadas e injustas. Vamos juntos, empresários e cidadãos, lutar por um mercado mais justo e equilibrado. Afinal, todos merecemos um espaço onde nosso potencial possa brilhar livremente, sem o peso desnecessário de um sócio imprevisto em nossa jornada.

 

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